Crise na Ásia volta a derrubar bolsas
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quarta-feira, 10 de junho de 1998
Agência Estado 
O mercado de ações mergulhou em forte baixa, mais uma vez. A Bolsa de São Paulo fechou o pregão com desvalorização de 4,83%. A queda, a maior desde 26 de maio, quase anulou a rentabilidade do mês, de 5,31%, acumulada até o dia anterior. Desde ontem, a Bolsa paulista apura uma valorização residual, de apenas 0,22% em junho. A Bolsa do Rio caiu 4,67%.
O tombo das Bolsas foi provocado, mais uma vez, pela nova onda de acentuada instabilidade que derrubou o mercado internacional de ações, da Ásia aos Estados Unidos, passando pela Europa. A insistente desvalorização do iene, a moeda japonesa, em relação ao dólar e a falta de disposição ou iniciativas para sustentá-lo agravaram as expectativas em relação às economias asiáticas.
A fragilidade do iene e a fuga de capitais dos países da Ásia levaram a uma queda quase geral dos mercados da região. A Bolsa de Tóquio recuou 1,23%; a de Hong Kong, 4,91%; a de Seul, 4,3%; a da Tailândia, 3,36%, entre outras, na Ásia, onde a Bolsa da Rússia também se desvalorizou 6,20%. Entre as européias, a de Londres caiu 0,54%.
A falta de iniciativa do G-7, grupo formado pelos sete países mais industrializados do mundo, incluído o Japão, de dar sustentação ao iene, com a compra de moeda japonesa no mercado, fortaleceu as incertezas em relação às moedas dos demais países. O temor é de que a queda livre do iene, se mantida, alimente nova onda de desvalorização de moedas nos países da região que lutam para manter a competitividade de seus produtos.
A questão é que acontecimentos como os da Ásia projetam suspeitas também sobre as outras economias chamadas emergentes, como a brasileira. O temor, no caso, é que, influenciado pela crise internacional, o capital estrangeiro abandone o mercado brasileiro. Uma debandada de investidor externo exigiria uma acentuada desvalorização do real ou forte elevação das taxas de juros ou, ainda, ambas as decisões, simultaneamente.
A instabilidade da Bolsa de Nova York, que, depois de fortes oscilações. fechou com baixa de 0,86% ou perda de 78,22 pontos também deprimiu as Bolsas domésticas. O depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, Alan Greenspan, contribui para a instabilidade, mas o fator determinante da queda da bolsa nova-iorquina teria sido uma decisão judicial desfavorável à indústria de tabaco que provocou fortes vendas de ações das empresas do setor.
O mercado dividiu a atenção entre a turbulência no mercado internacional e o preço mínimo definido pelo governo para a privatização do sistema Telebrás. O valor, de R$ 13,470 bilhões, praticamente coincidiu com o previsto pelo mercado. O lote de mil ações de Telebrás PN recuou 5,46%, para R$ 126,20. A desvalorização, segundo operadores, refletiu vendas estimuladas pelas incertezas internacionais.


