Crise na Ásia pode ser bênção disfarçada, profetiza Camdessus
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sexta-feira, 14 de novembro de 1997
Agências Estado e Reuters Cingapura 
Roslan Rahman/AFPCorreção de rotaCamdessus: Oportunidade de criar alicerces sólidos ao crescimentoMichel Camdessus, diretor-administrativo do Fundo Monetário Internacional (FMI), declarou ontem que a crise econômica da Ásia acabará removendo as barreiras ao crescimento contínuo. Essa crise não é, necessariamente, um fator maligno que está à nossa espreita no futuro. É mais provável que seja uma bênção disfarçada, declarou Comdessus, durante uma entrevista coletiva.
Ela nos mostrou que há elementos muito diversos: empréstimos estrangeiros, monopólios, controles excessivos, má administração de dívidas e desgoverno em todos esses países. E esses elementos têm sido um obstáculo ao crescimento sustentável.
Segundo Comdessus, as proporções da crise espalhada pela especulação contra o baht tailandês em julho tiveram relação direta com falhas sistêmicas de controle e falta de transparência. Ele enfatizou: Quanto mais tempo esses fatores negativos permanecessem nos países, tanto mais negativo seria o seu impacto.
Ele ressaltou que a crise representa uma oportunidade de corrigir as deficiências e criar alicerces sólidos para a volta dos altos índices de crescimento, que atingiram a média de no mínimo 7%, em termos reais, em muitas economias regionais, nos últimos 20 anos.
Mas Comdessus ponderou que será difícil restaurar a confiança. A confiança não poderá ser restaurada por uma varinha mágica, e sim por meio da persistência e da resistência no dia a dia, às pressões dos interesses adquiridos, e pelas tentativas de eliminar, dia após dia, os obstáculos à obtenção de um crescimento de maior qualidade.
Para tanto, acrescentou, é preciso um forte compromisso com o ajuste econômico e com a reforma, demonstrado pela adoção de medidas muitas vezes dolorosas. O valor dos pacotes apoiados pelo FMI, destinados a resgatar e reformar as economias da Tailândia e da Indonésia, além do pacote de ajuda às Filipinas, já superou os US$ 40 bilhões.


