A Cúpula do Mercosul começou ontem, em Montevidéu, Uruguai, dominada pela renúncia do presidente de um dos maiores sócios do bloco, o argentino Fernando de la Rúa, derrubado por uma rebelião popular depois de ter fracassado em superar uma das mais graves crises econômicas da história do país.
A cúpula significará ''uma mensagem política de profunda solidariedade com a Argentina, em um momento em que este país atravessa uma grave crise política, social e econômica'', indicou o ministro uruguaio da Economia, Alberto Bensión.
Apesar da crise que se vive na Argentina, em estado de sítio desde quarta-feira, o Conselho de ministros do bloco cumpriu na véspera com o ritual semestral de sua agenda, apesar de adiar para fevereiro todas as suas decisões devido à ausência de representantes do Governo de Buenos Aires.
A questão institucional, em especial a criação de um tribunal permanente para a resolução de controvérsias, a modificação da Política Automotiva Comum (PAC), e a reestruturação da Tarifa Externa Comum (AEC), foram os principais temas adiados.
Outras matérias pendentes são a redução da taxa do AEC, assim como a pretensão do Brasil e Uruguai de lançar-se a negociações comerciais externas por conta própria.
Dessa maneira, o Mercosul entrou em uma previsível paralisia até fevereiro próximo. Antes de viajar a Montevidéu, o presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso reforçou, no Rio de Janeiro, a idéia de uma pausa no processo subregional de integração. No entanto, o chefe do Estado brasileiro foi categórico em sua defesa do Mercosul, ao assegurar que o bloco ''não é parte do problema e sim da solução''. ''Se não existisse, teríamos de criá-lo. Sem ele, estaríamos em uma situação pior, com certeza''.
O presidente uruguaio, Jorge Batlle, também reivindicou na quinta-feira a noite o papel do Mercosul, ao assegurar que é muito mais do que ''nosso destino individual, é fruto da geografia e da história''.
''Com a Argentina, com o Brasil, com o Paraguai, a Bolívia e o Chile estamos seguros de que, no futuro próximo, teremos muitas coisas boas por fazer'', afirmou Batlle.

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