A crise de liquidez iniciada na agropecuária a partir de 2004, se consolidou em 2005 e deverá se estender nos próximos anos, segundo previsão feita pela economista Gilda Bozza, do Departamento Técnico-Econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). ''Por causa da queda na renda, os produtores utilizam menos tecnologias nas lavouras, nos rebanhos, nas propriedades e na renovação da frota de máquinas agrícolas'', explica.
De acordo com Gilda, a valorização do real e os preços internacionais mais baixos para as commodities agrícolas são uma forte ameaça para a renda no campo, afetando todo o conjunto do agronegócio. Ela explica que com o real mais forte, o Brasil se tornou menos competitivo no mercado internacional. Desta forma, a questão cambial tira a competitividade de vários produtos agrícolas.
Preços em baixa - As principais culturas da safra de verão 2004/05 tiveram preços declinantes em plena entressafra, por causa do aumento da oferta internacional em relação aos produtos exportáveis. Ao mesmo tempo, houve fraca demanda interna para os alimentos destinados ao mercado interno.
De acordo com estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Valor Bruto da Produção agropecuária do Paraná, em 2005, será de R$ 24 bilhões. Isto representa queda de 20% em relação à safra passada.
O Valor Bruto da Produção dos principais grãos do Estado deverá cair de R$ 12 bilhões (2004) para R$ 7,54 bilhões (2005). Significa diminuição de 37% na receita e valor equivalente a R$ 4,47 bilhões.
A baixa se explica por fatores conjuntos: queda das cotações internacionais, desvalorização cambial e quebra de safra. A perda estimada somente nas três principais culturas do Estado (soja, milho e trigo), neste ano, equivale a US$ 1,78 bilhão. Neste caso, a Faep considera taxa cambial média de R$ 2,49 o dólar.
A economista Gilda Bozza não tem dúvida. A crise de liquidez no agronegócio deverá se estender em 2006, predominando um quadro não muito diferenciado deste ano. O Governo Federal não emite sinais de que fará modificações na política agrícola em favor da renda do setor. Para agravar, os fatores câmbio e clima aumentam as incertezas e a convicção de que os produtores rurais não possuem motivos para euforia.

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