Curitiba - Trabalhadores da Case New Holand (CNH) e de empresas terceirizadas cruzaram os braços das 6 às 10 horas da manhã de ontem e fizeram um protesto público contra a crise da agricultura gerada pela estiagem. A queda dos preços dos produtos agrícolas e a desvalorização do dólar já teriam motivado, de acordo com os metalúrgicos, mais de 570 demissões no setor (200 delas na Case New Holand). Para o protesto, as ruas próximas a CNH foram bloqueadas com duas toneladas de sacas de milho, caminhões e colheitadeiras.
''Queremos sensibilizar os governos estadual e federal para a intensa crise que o setor está passando e que vai se agravar se nada for feito de concreto para minimizar as perdas dos agricultores paranaenses'', alertou o presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana, Sérgio Butka. Representantes dos metalúrgicos foram recebidos ainda na manhã de ontem pelo governador Roberto Requião e apresentaram uma carta de reivindicações para que a crise não seja agravada ainda mais. Butka lembrou que as montadoras freiaram as compras em 10% no mês de março e reduziram a produção.
No caso de máquinas agrícolas, o setor estaria estagnado. ''Não há compras de máquinas agrícolas e tratores. Eles não conseguem nem pagar as dívidas que têm com as montadoras e não conseguem fazer novos investimentos'', analisou Butka. A CNH, por exemplo, teria reduzido a produção de colheitadeiras de 20 para cinco por dia. Os tratores também sofreram impacto e tiveram a produção diária diminuída de 70 para 55. Em dezembro, a montadora deu férias coletivas por 30 dias aos funcionários. Em fevereiro, parou mais 20 dias. No início de março, foram concedidas férias de 10 dias para os trabalhadores do setor de colheitadeiras e na próxima segunda começam as férias coletivas do setor de tratores.
Entre as reivindicações levadas para Requião está a luta pela ampliação do financiamento para agricultores com o intuito de modernizar a frota de equipamentos e maquinários agrícolas; renegociação dos atuais contratos; nacionalização das peças usadas pelas montadoras para reduzir custos e evitar demissões; prazo para pagamento de dívidas novas; investimento em responsabilidade social. O protesto dos metalúrgicos é nacional e envolve 18 municípios de cinco estados brasileiros (leia reportagem nesta página).
Em nota oficial, a CNH considerou legítimo o direito de manifestação dos metalúrgicos, embora lamente os transtornos causados no trânsito da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A manifestação, segundo a nota, teria sido pacífica e não teria causado prejuízos ou a paralisação das atividades da empresa. A Case explicou que por conta da difícil situação vivida pelo agronegócio brasileiro, a divisão agrícola da montadora foi obrigada a ajustar as operações em Curitiba.
Em um acordo, a empresa se comprometeu com os funcionários a não promover novas demissões até junho deste ano. Embora os números dos últimos dois meses no setor tenham sido totalmente desfavoráveis, a empresa espera que o mercado retome seus níveis anteriores para normalizar suas operações.

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