Crise na agricultura amplia desemprego
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quinta-feira, 23 de outubro de 1997
Mariângela Herédia Agência Estado Brasília 
O setor agrícola, somente em seu conceito tradicional compreendido pelas atividades dentro das fazendas, é, individualmente, o maior empregador do País, com 26% do total de postos de trabalho, seguido da prestação de serviços, com 19,1%, e da indústria de transformação, com 12,2%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 1995. Por isso, qualquer crise gerada na agricultura resulta na ampliação do maior problema nacional: a falta de empregos.
Esta avaliação é sustentada pelo diretor do Departamento de Planejamento Agrícola do Ministério da Agricultura, Antônio Lício, no trabalho Agricultura: origem e solução do desemprego no Brasil, em que afirma que um mínimo de três milhões do total de 4,5 milhões de desempregados hoje no Brasil originaram-se da crise rural deflagrada no final da década passada.
Para chegar a estes números, Antônio Lício valeu-se da vinculação que pode ser feita entre a área plantada e a mão-de-obra por ela exigida. Utilizando dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados, de São Paulo, e do IBGE, ele concluiu que a perda de oito milhões de hectares entre 1989 e 1993 expulsou do meio rural cerca de três milhões de pessoas, tendo reabsorvido um milhão de trabalhadores nas safras de 1994 a 1996, resultando num desemprego líquido de dois milhões de pessoas. Para chegar ao mínimo de três milhões de desempregados, Antônio Lício acrescentou os desempregos indiretos dos setores do agribusiness vinculados à agricultura.
A soma dos empregos no agribusiness, segundo Lício, certamente ultrapassa 50% do total, atingindo 100% em muitas regiões. Ele observa que a questão do emprego torna-se dramática na Região Nordeste, onde a agricultura emprega diretamente 8,5 milhões, ou 40% de toda a População Economicamente Ativa (PEA) e onde se encontram as maiores dificuldades para a expansão da atividade pela via tradicional. Baseado em trabalho feito por economistas do IBGE, Antônio Lício lembra que a agricultura e a agroindústria estão entre oito dos dez maiores geradores de renda e emprego no setor produtivo que são, pela ordem, agricultura (lavouras e pecuária), confecções (artigos de vestuário), indústria do café, abate de animais, laticínios, beneficiamento de vegetais, agroindústria do açúcar e álcool, serviços domésticos, indústria de óleos vegetais, madeira e mobiliário.
Outra importante ação imediata mas com tramitação demorada, avalia, seria a desoneração de encargos trabalhistas sobre a agricultura, pois entende que não se pode requerer do empregador rural - que mais emprega no País - a atual carga de obrigações burocráticas e trabalhistas incidentes sobre a folha de pagamentos.


