Crise mundial pode provocar demissões no PR
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os problemas econômicos que os Estados Unidos vêm enfrentando e que foram acentuados no final de 2007 com a crise do setor imobilário, podem trazer consequências para o Brasil. Tudo vai depender do tempo que a crise durar e da magnitude que atingir. Analistas ouvidos pela FOLHA acreditam que, caso o cenário da economia norte-americana se agrave, pode ocorrer redução nas exportações o que provocaria demissões nas empresas que vendem para o mercado externo.
Além disso, a ampliação da crise taria fuga de capital do Brasil e dificultaria a captação de dinheiro por parte das empresas brasileiras no mercado internacional. Também poderia ocorrer redução no preço das commodities agrícolas, o que prejudicaria as exportações destes produtos. De imediato, a consequência maior ocorreu para quem tem dinheiro aplicado em ações.
O assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, disse que até agora, a agricultura e o agronegócio do Brasil não sofreram nenhuma consequência. Ele acredita que um possível agravamento da crise nos EUA traria redução nas exportações de frango, soja, milho, madeira, açúcar, álcool e café não só para o mercado norte-americano como para outros países. Segundo ele, os produtos que os americanos mais importam do Brasil são café, açúcar e suco de laranja. Entre as commodities que poderiam ter redução de preços e, por consequência de exportações, estão a soja, o milho, o café, o açúcar e o álcool.
''As consequências para o Brasil vão depender do tempo de duração e do tamanho da crise'', disse o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva. Ele acredita que, caso a crise se acentue, as exportações do Brasil para os Estados Unidos podem reduzir. Isso traria como impacto indireto, países como a China e a Índia comprarem menos do Brasil por não poderem vender para os americanos.
Silva disse que a crise norte-americana pode fazer os investidores focarem em mercados mais seguros, o que provocaria fuga de capital do Brasil. Também dificultaria as empresas brasileiras conseguirem dinheiro no mercado internacional. ''A crise também poderia trazer redução de emprego nas empresas exportadoras de produtos para os Estados Unidos como aviões, peças e motores para veículos e calçados'', disse.


