No quadro de incerteza criado pelo conflito mundial, a área mais promissora para investimentos é a de agronegócios. O otimismo vem da constatação que o Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário deve crescer 4,2% em 2002 e 3,8% este ano, alavancado pelas vendas da pecuária (carnes de aves, suína, bovina e leite). Outra variável positiva do PIB agropecuário são as exportações, que estimularam um crescimento de 30%.
As análises são dos professores Gilberto Dupas e José Roberto Mendonça de Barros durante palestras, ontem, no Fórum de Dirigentes de Cooperativas na Ocepar, em Curitiba.
Na avaliação de Mendonça de Barros, o Brasil tem o setor do agronegócio melhor posicionado para lidar com a volatilidade deste momento difícil para o conjunto da economia, porque tem a maior parte de sua atividade dolarizada. ''Se o produto não é exportado, é comercializado no mercado interno de acordo com as cotações internacionais'', explicou.
Segundo ele, o câmbio deve continuar pressionado pelo menos até o primeiro trimestre de 2002. Em seguida, apontou a tendência de crescimento no preço das commodities no mercado internacional. Segundo o economista, com a provável volta do crescimento econômico, haverá a recuperação das cotações.
No mercado interno o consumo de alimentos deve crescer, impulsionado pelos programas de distribuição de renda que estão sendo adotados pelo governo. Outro fator que faz do agronegócio um bom investimento é o fato de o Brasil ter a agropecuária mais competitiva do mundo, sem subsídios.
Com isso, é inevitável o surgimento de novas fronteiras no campo da exportação. As usinas brasileiras estão exportando este ano 600 milhões de litros de álcool para países que estão fazendo a mistura com a gasolina. Pelo menos 15 países já estão fazendo essa mistura entre eles Estados Unidos, França, Itália, Japão, Tailândia, Filipinas, Japão e Suécia, entre eles.
Mendonça de Barros lembra ainda que parte dos custos, como os salários, estão em reais, o que representa vantagens para o setor.
Entre os efeitos negativos que podem influenciar os investimentos no agronegócio, apontou a volatilidade do câmbio. Para minimizar esse efeito, ele recomenda um ''mix'' de venda futura que trava o preço agora. Lembrou que os juros estão altos e um agravamento da crise argentina pode fazer com que o Banco Central promova nova rodada de aumento nos juros.
Mendonça de Barros chamou a atenção ainda para o custo da água e da energia elétrica, que implica em dificuldades para quem planta com equipamentos de pivô central. ''São problemas que não estavam na cabeça de ninguém e que devem ser encarados como custos importantes daqui para frente, com a previsão de aumento nos preços desses serviços'', avisou.

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