Crise mundial atrai mais que eleições
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segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
Entender de Bolsa de Valores e de crise mundial econômica tornou-se um desafio irreal para pessoas comuns, que quando muito vão até o banco deixar suas poucas economias na poupança. Será? A reportagem da Folha saiu esta semana pelas ruas centrais de Londrina e teve o que se pode considerar uma lição sobre o assunto mais discutido no momento: a crise nos EUA. Nem as eleições municipais conseguiram catalizar tanto interesse dos populares que cruzam as ruas apressadamente nos últimos dias.
Sobra explicações sobre o momento econômico, porém não é menos verdade que algumas questões ainda estão no ar. Para estas dúvidas, a Folha foi ao encontro do economista da UEL, Vanderlei Sereia (veja repostas nesta página), para entrelaçar as várias visões da crise que permeiam o dia-a-dia das pessoas e, talvez, com uma certa dose de pretensão, encontrar algum nexo que explique tudo o que está acontecendo numa economia dependente, interligada e globalizada.
A dona-de-casa Matilde Caldeira diz que se pergunta o tempo todo se o Brasil vai sofrer com a crise mundial. ''O que vai acontecer?'', indaga, com o semblante preocupado. Ela também conta, angustiada, que não consegue entender o sobe e desce da Bolsa de Valores. ''O que é isso?'', retruca. Mas Matilde não deixa de dar um pitaco sobre a crise. ''Tem muita gente ganhando dinheiro fácil'', diz, referindo-se aos investidores das bolsas de valores do mundo todo.
A advogada Maria Eugênia Pasquini, saída a pouco dos bancos universitários, diz que está entendendo da crise mundial a partir de seu bolso. ''Quero fazer pós-graduação, mas não tenho emprego e necessito de mais qualificação para estar empregada'', conta. Ela se diz indignada com o que paga de imposto e não vê seu dinheiro traduzido em qualidade de vida. ''O que estes políticos estão fazendo?'', protesta. Ela se pergunta, preocupada, se a crise econômica mundial vai afetar mais ainda sua vida.
''Será que as guerras patrocinadas por Bush não aumentaram ainda mais esta crise econômica mundial?'', a indagação é de Luiz Rocha, também advogado. Rocha é taxativo ao dizer que o governo Bush ''queimou dinheiro'' em guerras e quem vai pagar a conta são os outros países. Ele complementa sua visão sobre a crise mundial, ao dizer que todos os mercados estão interligados, por isso, esta ligação econômica provoca um efeito ''dominó'' na economia de todos os países do mundo. ''A economia mundial é globalizada'', ensina.
A estudante de Ondontologia, Flávia Camila Alvez, é contundente na sua avaliação. ''Os EUA são potência e vão afetar outras economias sim'', afirma. Mas ela pondera que não consegue entender o porque da crise econômica mundial. ''Eu gostaria de entender como surgiu toda esta história da crise econômica atual'', questiona.


