A recessão e a crise mundial estão mudando o perfil do emprego no setor privado. Além de maior oferta para trabalhadores autônomos, as empresas estão demandando um empregado com maior iniciativa e espírito empreendedor. Diante dessa constatação, o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), vinculado à Confederação Nacional da Indústria, com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), está desenvolvendo um projeto pioneiro para disseminar o ensino do empreendedorismo nas instituições de nível superior do País, segundo a coordenadora de Administração Estratégica do IEL, Gina Gulineli Paladino.
Os primeiros projetos-piloto para introduzir o empreendedorismo como disciplina nas universidades foram iniciados em julho deste ano em três Estados: Paraná, Rio Grande do Norte e Amazonas e devem estar concluídos em março de 1999. A escolha desses estados, segundo Gina Paladino, não foi aleatória. Ocorreu porque as universidades já vinham fazendo solicitações nesse sentido ao IEL e ao Sebrae. Essas experiências-piloto, segundo a coordenadora do IEL, servirão de base para a realização de novos projetos em outras unidades da federação a partir de 99.
Gina Paladino explica que o IEL e o Sebrae estão patrocinando o treinamento dos professores universitários dos três Estados que estão participando da experiência-piloto. O treinamento está sendo feito com base na metodologia do professor canadense Jacques Fillion, um dos maiores especialistas no assunto e, após a realização do curso, os professores terão condições de administrar a disciplina nas suas respectivas universidades. Após a realização do curso, os professores continuarão recebendo informações sobre a disciplina por meio de uma rede de informações municiada por publicações e organismos internacionais que atuam nesse área.
Na avaliação feita pelo IEL e pelo Sebrae, as universidades brasileiras já começaram a despertar para a nova realidade do perfil de emprego no País. Gina Paladino afirma que antigamente as universidades formavam profissionais para obter um bom emprego e, de preferência, por muito tempo. ‘‘Isso acabou, pois a oferta de emprego agora é menor’’, diz.
‘‘Consequentemente, os profissionais que saem da universidade devem estar preparados para abrir seu próprio negócio ou, se empregados, atender à outra demanda do empregador’’, afirma. ‘‘A grande preocupação é fazer com que haja uma adequação maior entre o ensino universitário e necessidade das empresas.’’
O IEL também vai lançar um prêmio para distinguir as universidades que estejam fazendo maior intercâmbio com o setor industrial. O prêmio é dirigido à instituições de ensino superior que tenham promovido a introdução do ensino de empreendedorismo no terceiro grau, com o objetivo de formar e capacitar empreendedores. As inscrições podem ser feitas até o 18 de dezembro, e a documentação dos interessados deve ser enviada para o IEL nacional SBN Quadra 01 Bloco C, 2.º andar Edíficio Roberto Simonsen Brasília DF.

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