Crise limita alta do IPCA
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Jacqueline Farid e Fabio Graner<br> Agência Estado 
Rio e Brasília - A crise evitou uma alta maior do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008, segundo a coordenadora de índices do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos. No ano passado, o indicador, usado para balizar a política monetária, subiu 5,9%, acima da meta de 4,5% mas dentro da margem de flutuação de dois pontos acima ou abaixo da meta. Graças à queda no preço das commodities e à desaceleração da economia em razão da crise, o IPCA subiu 0,28% em dezembro, a menor variação mensal desde o início do Plano Real.
''Os problemas internacionais, com alguma repercussão no mercado interno e externo, fizeram com que produtos que seriam exportados ficassem no mercado interno, aumentando a oferta e, além disso, houve redução da demanda interna, dificultando os repasses de aumentos de preços'', explicou Eulina.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostrou-se satisfeito com o resultado do IPCA de dezembro e destacou que o Brasil passou por um choque de commodities mantendo a inflação dentro das metas definidas pelo governo. ''Eu sempre disse que ficaríamos com a inflação dentro da meta'', afirmou Mantega.
Segundo o ministro, a desaceleração da inflação em dezembro ''abre espaço importante para a redução'' da taxa básica dos juros, apesar de dizer que a avaliação sobre o nível dos juros compete apenas ao Banco Central.
Segundo Eulina, a desaceleração ocorrida nos reajustes de preços dos alimentos, que tanto vinham pressionando a inflação desde o segundo semestre de 2007, ocorreu a partir de agosto do ano passado, por causa da redução nos preços das commodities. Os produtos alimentícios, que tinham acumulado um aumento de 8,65% no primeiro semestre de 2008, desaceleraram os reajustes para 2,27% no segundo semestre.
Desse modo o IPCA, que acumulou alta de 5,90% em 2008, passou de uma elevação de 3,64% no primeiro semestre para 2,27% no segundo semestre e, com o agravamento dos efeitos da crise no mercado doméstico, chegou ao mês de dezembro com alta de 0,28%.
As refeições fora de casa representaram a maior contribuição individual (0,55 ponto porcentual) no IPCA acumulado do ano passado (5,90%), segundo Eulina. Com reajustes de 14,45% em 2008, esse item ainda refletiu os aumentos de preços dos alimentos em 2007 e a forte alta ocorrida também no primeiro semestre do ano passado. A segunda maior contribuição para a inflação do ano foi dada pelas carnes, que subiram 24,02% (com 0,49 ponto porcentual da taxa total do IPCA).


