Crise inviabiliza pesquisas no Brasil
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sexta-feira, 30 de setembro de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Nos últimos anos, a pesquisa brasileira tem vivido em crise. Os institutos de pesquisas de todas as áreas - agropecuária, saúde, tecnologia - sofrem com a escassez das verbas orçamentárias, falta de funcionários qualificados e investimentos em infra-estrutura. ''Alguns projetos - como pesquisas em biotecnologia, nanotecnologia e meio ambiente - estão sendo dificultados e até inviabilizados'', afirmou a pesquisadora Débora Mello, doutora em Política Científica e Tecnológica.
Débora ministrou palestra na quinta-feira à noite sobre a crise dos institutos públicos de pesquisas durante a 16 Semana de Economia, promovida pelo Departamento de Economia da UEL. Ontem, último dia da palestra, o assunto abordado foi ''Política Econômica: o novo desenvolvimento'' pelo professor doutor Renaut Michel, da Ucam/RJ.
Segundo Débora Mello, a crise financeira começou a atingir os institutos públicos de pesquisa a partir dos anos 80. No entanto, no final da década 90 e início dos anos 2000, os órgãos começaram a sofrer com um outro problema: a crise da representatividade. ''Para superar esse modelo não há um exemplo a ser seguido. Os institutos devem tentar fortalecer as entidades através de ações conjuntas em parcerias com a sociedade, o governo e outras instituições'', argumentou.
O primeiro passo a ser dado, na sua avaliação, é o reconhecimento das mudanças do ambiente. ''Os atores não são os mesmos, as relações com o governo não são mais as mesmas. Esse reconhecimento já é um dos processos para o fortalecimento'', afirmou. Ela lembra que nos anos 70, os institutos eram ativos e atuantes e alcançaram muitos resultados e avanços em pesquisas.
''Os institutos contribuíram e muito para o desenvolvimento econômica da região. Foram desenvolvidos inúmeras vacinas, sementes e mudas de variedades espécies e houve bons resultados em tecnologia'', comentou Débora. E mesmo com a crise, alguns órgãos têm alcançado bons resultados. É o caso da Embrapa, Fiocruz, Butantã e IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas, mantido pelo governo de São Paulo).
''Esses institutos não estão sem problemas, mas conseguiram alcançar o reconhecimento por parte da sociedade'', afirmou a pesquisadora. Na sua avaliação, há dificuldades de mobilização dos funcionários dos institutos para manutenção dos órgãos. ''Acredito que deve haver pactos para procura de novos modelos e rumos diferentes para que as instituições consigam passar para outra etapa'', disse.


