Escolas de Londrina estão optando pela troca de serviços e de produtos com pais de alunos para evitar a evasão escolar e reduzir a inadimplência. A fórmula criativa teve início há cerca de dois anos e voltou com mais força nos últimos meses por causa da conjuntura econômica. Uma escola tradicional da cidade conseguiu fazer a cobertura da quadra de esportes e equipou todo o laboratório por conta de permutas com pais de estudantes. Uma pré-escola está fazendo a manutenção dos laboratórios de informática a troco da mensalidade de dois alunos.
‘‘É um bom negócio para os dois lados’’, afirma a diretora da Pré-escola Alfa, Leda Gomes Fogaça. Segundo ela, a escola adotou este ano a troca de serviços com dois pais de alunos, que, através de suas empresas, pagam as aulas com material escolar e assistência técnica dos computadores. A diretora explica que ultimamente não são raros os casos de pais que sugerem permutas com a escola. Entre outras promoções, a pré-escola também concede desconto para os pais que indicam novos alunos.
‘‘Acho que trocar serviços é a melhor forma para cobrir os custos operacionais de uma empresa’’, afirma Fábio Salomon Silva, sócio-proprietário da Intektron Informática, que tem dois filhos matriculados na pré-escola Alfa. Desde meados do ano passado, as mensalidades estão sendo trocadas pela assistência técnica que ele mantém no estabelecimento de ensino. O empresário afirma que, não fosse a permuta, seus filhos permaneceriam matriculados, porém às custas de um ‘‘bom esforço’’. Salomon diz que ‘‘talvez esperasse um pouco mais para matricular o caçula, que tem pouco mais de dois anos’’.
A diretora de marketing do Colégio Delta, Patrícia Costa, conta que a cobertura da quadra poliesportiva e o laboratório de ciências foram feitos à base da permuta. No caso do laboratório, o pai do aluno fez a doação dos equipamentos. Além disso, a tinta utilizada na pintura externa do muro do colégio também foi trocada por aulas.
‘‘Esta troca começou há cerca de dois anos, mas agora é uma tendência mais forte nas escolas por causa desta crise financeira’’, explica a diretora. Além da permuta, o colégio começou em 97 uma reestruturação administrativa com o objetivo de enxugar custos. Segundo ela, foi possível reduzir cerca de 30% dos gastos que posteriormente foram repassados às mensalidades.
No Colégio Marista, em Londrina há 44 anos, a mensalidade foi corrigida no patamar da inflação do ano passado. A diretora adjunta Marise Rufino informou que a escola conseguiu renegociar com todos os inadimplentes do ano passado, evitando a evasão escolar.
‘‘Cada vez mais as pessoas estão priorizando a educação’’, afirma a diretora. ‘‘Por causa disso o colégio procura facilitar ao máximo para os pais. Os que enfrentam dificuldades financeiras durante o período letivo nos procuram para negociar formas de pagamento’’, diz a diretora. ‘‘Tudo é conversável’’, completa.

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