Rio de Janeiro - A produção agrícola no Brasil começa a demonstrar sinais de impacto da crise financeira internacional. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta dos insumos e a redução do crédito vão afetar a safra de 2009, que deverá ser a menor desde o início da série, em 2002. A informação foi divulgada ontem.
Depois de muitos anos, é a primeira vez que nosso prognóstico é inferior ao do ano anterior, o que denota consequências da crise, que já teve impactos importantes nos preços agrícolas, afirmou o coordenador de Agropecuária do IBGE, Flavio Bolliger.
De acordo com ele, também influenciam nas projeções para a próxima safra o temor dos agricultores de não conseguir vender a produção por um bom preço, principalmente os grãos que têm o preço atrelado ao dólar (commodities) como milho e soja.
Tem a incerteza do valor da produção na época da venda. Isso faz com que os produtores gastem menos em tecnologia, em insumos, disse ele. O produtor não tem certeza de que vai recuperar o investimento feito e acaba reduzindo a produtividade.
O mercado interno, por outro lado, poderá ter um resultado melhor. Bolliger estima que a produção de arroz e feijão em 2009 supere a colheita de 2008. Devido à escassez no mercado, ambos os produtos influenciaram a alta da inflação no começo do ano.
A produção agrícola em 2009 deverá ser de 140,8 milhões de toneladas, 3,3% menor que a de 2008. Este ano, a estimativa recorde é de 145,6 milhões de toneladas, a maior safra desde o início das pesquisas, em 1974. A safra de 2008 foi excepcional. Não pode ser base de comparação. Foi um ano sem problemas climáticos e de crédito abundante, concluiu.

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