São Paulo - Nas últimas duas semanas, o clima de euforia nas bolsas de valores mundiais foi substituído pela angústia. A crise no setor imobiliário americano provocou pesados prejuízos a algumas instituições financeiras nos Estados Unidos, na Europa e até na Austrália, o que acendeu várias luzes amarelas de uma só vez. Teme-se, por exemplo, que algum grande banco venha a quebrar em decorrência dos crescentes calotes no segmento de crédito imobiliário americano. Teme-se também que a concessão de empréstimos sofra um forte puxão, o que acabaria com a recente onda de fusões e aquisições de empresas.
Há ainda o temor de que as perdas decorrentes da desvalorização das ações respingue na economia real. Por ora, analistas descartam a chance de uma crise financeira global. Mas não negam que cada nova queda forte das Bolsas - como na última sexta-feira - aumenta as incertezas.
Desde que as turbulências começaram, em 24 de julho, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) perdeu 8,9%. O Índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Nova York, desvalorizou 5,5%.
Para entender bem o assunto, é importante voltar no tempo. Os Estados Unidos viveram nos últimos anos um boom no setor imobiliário. Em meio à bonança, instituições financeiras passaram a emprestar dinheiro até mesmo para clientes com histórico de calote, o segmento conhecido como subprime.
A partir de 2006, a bolha imobiliária começou a desinflar, em decorrência da alta da taxa básica de juros nos EUA - que saiu de 1% ao ano em meados de 1994 para 5,25% no ano passado. Os juros maiores encareceram as prestações e levaram a um aumento da inadimplência.
Esse movimento começou a se refletir nos resultados das empresas que concedem empréstimos e também em alguns fundos de investimento de alto risco. Muitos desses fundos haviam comprado das companhias de financiamento imobiliário carteiras inteiras de empréstimos do segmento subprime. O aumento do calote, obviamente, os prejudicou.
Dois fundos do importante banco americano Bear Stearns praticamente viraram pó por causa disso. Em tese, os prejuízos deveriam ficar restritos aos clientes desses fundos. Mas não foi o que ocorreu.

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