Crise global pode prejudicar negócios na Feira do Paraná
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Vânia Casado 
As expectativas de comercialização na área animal durante a Feira do Paraná, que se realiza na região metropolitana de Curitiba, entre os dias 10 e 18 de Outubro, não são muito animadoras. De acordo com o coordenador geral do evento, Natalino de Souza, há uma inquietação geral no comércio e indústria e não dá para isolar a Feira do Paraná do contexto econômico. Ele confirmou que os pecuaristas estão com receio de fazer investimentos e isso certamente vai se refletir na comercialização.
Apesar disso, o número de animais inscritos se mantém e as expectativas estão superiores aos resultados do ano passado. Segundo o coordenador técnico Wander de Souza, a expectativa é comercializar R$ 700 mil com a venda de animais nos 12 leilões programados para a Feira. Com as vendas indiretas, no galpão, esse faturamento poderá elevar em mais R$ 500 mil, atingindo R$ 1,2 milhão. Se este resultado for atingido será superior ao ano passado, quando a comercialização rendeu R$ 900 mil, sendo R$ 530 mil em leilões e o restante com vendas em galpão. O faturamento total obtido no ano passado, reunindo os negócios com a pecuária, industria e comércio atingiu R$ 5,9 milhões.
Os coordenadores apostam no bom resultado com a comercialização de equinos, por se tratar de um mercado em expansão na região metropolitana de Curitiba. Para Souza, os criadores desse segmento têm um poder aquisitivo maior, o que reflete no aumento da procura por esses animais. Também o crescimento da cidade em função da industrialização, favorece o mercado, acrescentou.
Este ano foram inscritos 5.400 animais, sendo 12 raças de bovinos, oito raças de equinos, três raças de ovinos, três de suínos e quatro raças de caprinos, além de aves, coelhos, escargots e abelhas. No total, são 130 raças que estarão participando da exposição. O grande destaque será a realização da Feira de Filhotes (cães e gatos), cujo pavilhão foi o mais visitado no ano passado e a Feira Internacional de Orquídeas.
Estrangeiros Vinte países já acertaram a participação de delegações comerciais e empresas oficiais e privadas, que vão oferecer serviços e tecnologias para o público. Para fortalecer a atividade agropecuária, estão programados vários eventos técnicos. Os cafeicultores e o público poderão conhecer todos os segmentos da cadeia produtiva do café. Terão a chance de participar de cursos, ver amostras de mudas e plantas adultas e conhecer o processo de industrialização do café.
O foco principal dos debates é a pecuária de corte. Entre os temas a serem discutidos estão as mudanças no manejo do gado, o papel da seleção genética nos resultados da produção pecuária, praticas de alimentação, sanidade e estratégias de comercialização da carne bovina. No dia 15 de outubro, será realizado o Seminário Franco-Brasileiro da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, onde serão discutidas desde as técnicas de manejo de gado até a integração feita com supermercados franceses para aumentar as vendas de carne.
Rodada de Negócios Haverá uma rodada de negócios, prevista para o dia 14, entre empresários paranaenses e as quatro maiores empresas francesas dos setores de genética animal, engenharia agro-alimentar e equipamentos de refrigeração. As empresas francesas farão uma apresentação sobre a pecuária e a transformação de produtos animais, esterização e resfriamento industrial nos setores de carne e leite.
Outra participação internacional será o encontro entre empresários paranaenses e o ministro da Embaixada da Rússia no Brasil, Guennaldi Balba. O encontro acontece no dia 10 de outubro e tem como objetivo identificar possibilidades de negócios e cooperação técnica entre Rússia e o Paraná no setor agropecuário. A intenção de Balba é negociar com empresários e o governo do Estado a criação de um programa de convênios para o desenvolvimento científico e tecnológico agroindústrial.


