Uma crise sem precedentes na história do pólo moveleiro de Arapongas, está provocando a demissão de centenas de trabalhadores neste primeiro trimestre de 2001. Empresários do ramo admitem que uma acentuada queda nas vendas, que atingiu em março o patamar de 40% em relação ao movimento que seria normal, está sendo responsável pelas demissões.
Neste período do ano os moveleiros já estão acostumados com uma queda no faturamento, mas os níveis alcançados neste ano são inéditos, causando muita apreensão no setor. A preocupação também domina entre os trabalhadores das indústrias moveleiras.
Um balanço das rescisões homologadas de janeiro a março, divulgada na semana passada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Arapongas, indica que 622 funcionários foram demitidos neste período. O número, que representa cerca de 10% do total de trabalhadores empregados nas indústrias moveleiras de Arapongas, é recorde nos registros de 20 anos do sindicato.
José Roberto Pontalti, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Moveleiras de Arapongas (Sima), explica que no mês de dezembro as indústrias do setor encerram o ano com um bom volume de vendas. E que, em janeiro o movimento é regular, devido à reposição de estoques dos lojistas.
‘‘Sempre estamos preparados para uma retração das vendas nos meses de fevereiro e março, mas não tanto como aconteceu agora’’, admite Pontalti. Outro fator negativo foi a queda das exportações, motivada pelo alta do dólar e queda nas bolsas.
A esperança de recuperação das vendas, por parte dos moveleiros está ligada a dois eventos, que funcionam como reguladores de mercado. O primeiro foi a Feira de Móveis de Decorações de Gramado (RS), concluída há poucos dias. ‘‘A feira reuniu boa parte da indústria e lojistas do país, e agora espera-se que o resultado pós-feira ajude a resgatar níveis aceitáveis de faturamento’’, argumenta o diretor do Sima.
O segundo evento, com o qual o segmento espera uma verdadeira redenção financeira, é a Feira de Móveis do Estado do Paraná (Movelpar), prevista para o período de 24 a 28 de abril, no Pavilhão Expoara, em Arapongas. ‘‘A Movelpar tornou-se uma das maiores feira do País, atraindo as principais indústrias e compradores até do exterior’’, afirma Pontalti.
Apesar da crise momentânea, o Sima ameniza o aspecto negativo das demissões, explicando que os trabalhadores poderão ser recontratados a partir de maio e junho, quando as linhas de produção retomarem seu ritmo normal. Enquanto isso não acontece, os operários podem se manter com o seguro-desemprego e as rescisões contratuais. ‘‘Esse é um vácuo que sempre enfrentamos, mas neste ano devemos admitir que a queda nas vendas foi exagerada’’, conclui Pontalti.
Junto com a demissão de centenas de trabalhadores, a queda drástica no faturamento também provocou a falência e encerramento de atividades de algumas empresas de pequeno e médio porte, em Arapongas. Quem informa é o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indúastrias da Construção e do Mobiliário de Arapongas, Manoel Francisco da Silva.
Em 20 anos de sindicalismo, Silva diz que nunca viu nada comparado ao que está acontecendo agora. ‘‘A situação é desesperadora para muitas famílias, e se não houver uma reação imediata, muitos trabalhadores também vão ficar desempregados’’, avalia ele.
Para o sindicalista a Movelpar está sendo aguardada com muita ansiedade também pelos trabalhadores das indústrias moveleiras. ‘‘A feira pode alavancar as vendas, acelerar a produção e garantir o emprego de milhares de araponguenses’’, diz Silva.
Segundo ele, o piso dos operários é de R$ 281, somado a comissões de produção, alcança uma média de R$ 400. Mas com a vertiginosa queda nas vendas, muitos estão se mantendo apenas com o piso, quando não são demitidos.
Além dos 622 funcionários demitidos no primeiro trimestre, cujas rescisões, obrigatoriamente, passaram pelo sindicato para homologação, Manoel lembra que muitos outros, que não têm seis meses de trabalho, também foram dispensados.
Conforme revela o sindicalista, a crise fez surgir situações em que o patrão, sem condição de pagar os salários, entregou a empresa para os funcionários tocarem, firmando uma parceria para evitar novas demissões. ‘‘Nossa esperança de normalização está depositada no sucesso da Movelpar’’, afirma Manoel Fernandes da Silva.

mockup