Crise freia expansão do comércio global
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de dezembro de 1998
Agência Estado 
A crise financeira na Ásia, a recessão japonesa, o colapso econômico russo, o baixo crescimento econômico da América Latina e, em decorrência desses fatores, a crescente onda protecionista, estão sendo os responsáveis pela forte desaceleração do comércio mundial, cujo volume este ano deve crescer entre 4% e 5%, menos da metade da expansão de 10% registrada em 1997, taxa recorde no âmbito mundial.
De acordo com o Informe Anual da Organização Mundial do Comércio (OMC) de 1998, o comércio de bens e produtos, que cresceu 3% em termos de valor em 1997, para US$ 5,3 trilhões, vai cair este ano por causa da forte depreciação dos preços das commodities e do dólar, que reduz o valor do comércio em outras moedas.
O levantamento da OMC mostra que, nos nove primeiros meses do ano, houve uma significativa queda nas importações dos países da Ásia (inclusive o Japão) e da América Latina. As importações latino-americanas, por exemplo, cresceram somente 5% no terceiro trimestre deste ano, ante uma expansão de 15% no mesmo período de 1997. O Brasil, diz a OMC, a maior economia da região, reduziu as importações de forma espetacular. Nos primeiros nove meses do ano, as importações brasileiras cresceram apenas 5%, ante 15% do mesmo período de 1997.
O relatório da organização que rege o comércio mundial informa ainda que as exportações da América do Norte acusam perdas significativas este ano. Depois de um aumento de quase 10% em 1997, a queda dos preços e do crescimento em volume provocaram uma contração de 5% em valor do comércio no terceiro trimestre.
Já as importações asiáticas, acrescenta o relatório anual da OMC, sofreram uma queda brusca de 16% nos primeiros nove meses do ano, se comparado ao dinamismo da região de dois anos atrás. As exportações dos países asiáticos mais afetados pela crise (Indonésia, Coréia, Malásia, Filipinas e Tailândia) também apresentam retração significativa de 7% no mesmo período. As importações do Japão desmoronaram 19% em nove meses, pouco mais da metade do crescimento de suas exportações (8,5%).
Para a OMC, a violenta recessão nesses países contribui de forma significativa para a depressão dos mercados de commodities, com uma queda dos preços médios anuais do petróleo e de outros produtos básicos de cerca de 30% e 15%, respectivamente.
O relatório da OMC afirma que a crescente onda protecionista, em função da forte crise internacional, é outro fator que vai influenciar no resultado final do comércio mundial este ano, razão pela qual a taxa de crescimento das exportações mundiais este ano deve ficar semelhante à taxa registrada entre 1990 e 1993.
Os Estados Unidos, Brasil, México e Austrália são citados como países que estão endurecendo as suas normas antidumping e anti-subsídios. O relatório aponta ainda pressões nos EUA e na União Européia para impedir as importações desleais em setores como aço e têxtil.
Para os analistas da OMC, a onda protecionista será um duro golpe para a economia mundial, já que 25% dos bens produzidos no mundo são exportados. Este ano, a economia mundial não deve crescer mais do que 2%, ante um crescimento de 4,1% em 1997, segundo estimativas do FMI. Além da redução do intercâmbio comercial no mundo, também é necessário destacar a mudança geográfica desse comércio, diz a OMC. A organização conclui ainda que, embora os preços dos produtos manufaturados tenham se depreciado, essa queda foi consideravelmente inferior à queda dos preços dos produtos primários.


