Crise financeira reduz abate de frango no Oeste e Sudoeste
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sexta-feira, 04 de julho de 1997
Paulo Pegoraro CASCAVEL 
Produtores de frango do Oeste paranaense estão alarmados com o risco de o frigorífico de Cascavel, do grupo Chapecó, não retomar plenamente suas atividades. O frigorífico reduziu pela metade o abate por enfrentar crise financeira. Na quinta-feira, os avicultores realizaram manifestação, impedindo por algumas horas a passagem pelo portão de entrada da unidade.
A mobilização dos produtores é liderada pela Associação dos Avicultores do Oeste e Sudoeste do Paraná (Avios), com apoio de prefeituras. O grupo Chapecó, que tem ainda três unidades em Santa Catarina e uma em São Paulo, enfrenta dificuldades e está sob intervenção branca desde que o BNDES se dispôs a socorrê-lo.
Dívidas de R$ 200 milhões foram refinanciadas e assegurado empréstimo de R$ 40 milhões, dos quais R$ 32 milhões já liberados. O Conselho de Administração passou a ser presidido pelo próprio presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros. O dinheiro liberado não foi suficiente para que a Chapecó retomasse o nível de atividade anterior. A indústria quer mais R$ 18,5 milhões para formação de capital de giro. Estes recursos permitiriam também a retomada dos abates em maior volume.
A direção da empresa não se pronuncia sobre o assunto. Segundo o presidente da Avios, José Lino Bergamin, de Capitão Leônidas Marques, 586 produtores da região firmaram compromisso de integração com a Chapecó, para fornecer frangos, e para isso financiaram aviários, ao custo de R$ 31 mil. Um aviário produzia seis lotes anuais, cada qual de 12,5 mil frangos, com custo de produção de R$ 500,00, e vendido a R$ 2,15 mil.
O frigorífico, com capacidade para abater 130 mil cabeças, recebia 105 mil aves. Agora, se limita a 50 mil, e em consequência reduziu pela metade o quadro de novecentos funcionários, e igualmente metade dos aviários está inativa.
Durante as manifestações, na quarta-feira, o deputado federal Hermes Parcianello (PMDB), de Cascavel, relatou a situação ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Os problemas da Chapecó se refletem em todas as regiões onde atua, nos três estados, sobre trabalhadores dos frigoríficos e produtores. Segundo a Avios, são quatro mil empregos diretos e 3,2 mil produtores integrados (incluídos os de suínos), o que, somando-se a empregos indiretos, representa contingente de 60 mil pessoas. Na comunicação que fez ao presidente da República, o deputado Hermes Parcianello disse que a situação cria revolta entre funcionários e produtores.


