Brasília - A crise financeira do ano passado transferiu o equivalente a R$ 91 bilhões em poupança financeira do Brasil para o exterior. O medo dos investidores em relação ao futuro e a falta de crédito para empresas brasileiras fizeram com que o volume de dinheiro em circulação na economia caísse de um nível equivalente a 60,9% do Produto Interno Bruto (PIB), no final de 2001, para 53,6% do PIB em dezembro último. Essa queda de mais de 7 pontos porcentuais do PIB foi a maior desde 1995.
''No ano passado, saiu muito dinheiro do País em função da baixa taxa de rolagem das dívidas que estavam vencendo. Não estamos falando de fuga de recursos'', ressaltou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. Ele lembra que a restrição de capital obrigou o BC a vender cerca de US$ 9 bilhões (R$ 32 bilhões) no mercado de câmbio à vista para suprir a falta de dólares.
O Banco Central registrou um prejuízo de R$ 10,9 bilhões com a especulação do mercado com contratos de juros em dólar, os swaps cambiais, no ano passado. Com isso, esse instrumento, criado em maio de 2002 para tentar reduzir o custo de administração da dívida pública atrelada à moeda estrangeira, acabou se tornando um dos fatores que mais contribuíram para aumentar a oferta primária de dinheiro na economia, medida por meio da chamada base monetária. Em 2002, esse indicador cresceu 32,3%, mais do que o dobro dos 14% verificados no ano anterior, refletindo um aumento de desconfiança em relação ao futuro do País.
Os contratos especiais de câmbio completaram a ação do BC. Como a autoridade monetária apostava que a variação do dólar seria menor do que a registrada, ele teve de pagar aos investidores que detinham contratos de swap cambial uma quantia equivalente em reais. Esse dinheiro foi para a economia. Além dessas operações, também influenciaram esse crescimento o pagamento da correção atrasada de contas antigas do FGTS e a fuga dos fundos de investimento verificada depois que o BC mudou as regras de contabilização dos títulos públicos.

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