Arquivo FolhaAlimentos: tombo em 97Concorrência acirrada, menos dinheiro na praça por conta da contenção do crédito e do aumento do desemprego, juros altos, inadimplência e crise internacional. Aliando-se a isso consumidores endividados e relativamente saciados pelo ‘‘boom’’ de compras do início do Real, tem-se empresas menos rentáveis. A tendência é que, neste ano, repita-se o resultado já verificado no ano passado. Um estudo da empresa de análise de balanços Austin Asis com 192 empresas mostrou que a rentabilidade do patrimônio ficou em 4,6% até junho deste ano, contra 4,9% até junho do ano passado.
Em 97, a queda de rentabilidade nos principais setores da economia foi constatada em um levantamento produzido pelo Datafolha com as 300 maiores empresas de capital aberto, que negociam ações em Bolsa, e 100 bancos. Até mesmo no setor bancário, onde a rentabilidade costuma ser bastante alta (cerca de 15% ao ano entre os grandes bancos) houve uma ligeira queda, de 12,25% em 96 para 10,31% em 97.
Entre as empresas, a rentabilidade do patrimônio caiu em 7 dos 14 setores. Em 96, o desempenho foi negativa nos setores de papel e celulose, têxtil, vestuário e calçados. Em 97, cinco ramos apresentaram resultados negativos. O setor de alimentos, por exemplo, viu a rentabilidade despencar de 3,57% em 96 para -6,35% em 97, uma variação de -9,92 pontos percentuais. Mesmo entre os que mantiveram resultados positivos houve quedas acentuadas. É o caso dos setores de eletroeletrônicos e comércio. O varejo foi beneficiado no início do Real, segundo Cláudio Felisoni, coordenador do Programa de Varejo da USP. Ele diz que não se deve esperar melhoras significativas neste ano. ‘‘Não haverá grandes mudanças, câmbio, taxas de juros, nada disso é factível.’’
Segundo Felisoni, o momento agora é de colocar as empresas no foco de suas operações. Ou seja, deixar crédito para quem entende de crédito e vendas para quem entende de vendas. Os melhores desempenhos foram encontrados nas áreas de serviços públicos (água, luz, telefone etc) e infra-estrutura, como é o caso da siderurgia ou de parte da indústria de metalurgia. ‘‘Após o Real houve uma bolha espetacular de consumo, mas a partir de 96 ocorreu uma volta dos investimentos estruturais’’, explicou Franz Reimer, diretor do departamento de economia da Fiesp.
Para Reimer, o quadro deve se repetir em 98. Só no primeiro semestre deste ano, o INA (Indicador do Nível de Atividade) da Fiesp indicou que o setor de telecomunicações cresceu 22% e o de energia elétrica, 26%.

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