A economia brasileira já começou a encolher. O Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre caiu 1,52% em relação aos três meses imediatamente anteriores e recuou 0,14% ante o terceiro trimestre de 1997, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De um trimestre para o outro, foi a maior queda desde os ajustes posteriores à crise do México, em 1995. Até junho, o PIB havia acumulado, em 98, uma expansão de 1,28% mas com o resultado ruim registrado de julho a setembro, o crescimento acumulado baixou para 0,79%, expressando a tendência declinante da atividade econômica.
O coordenador do PIB trimestral do IBGE, Roberto Olinto, mantém a sua estimativa de que a economia em 98 vai crescer apenas entre 0,5% e 1% - e tudo indica que ficará mais próximo de 0,5% do que de 1%. Segundo Olinto, o quarto trimestre do ano deverá ser um pouco pior do que o terceiro.
Ele lembra, por exemplo, que o terceiro trimestre pegou apenas 20 dias de elevação das taxas de juros, ou seja, o impacto do encarecimento e escassez de crédito, na prática, mal foi sentido no período.
Quem determinará o resultado será o comportamento da indústria de transformação, que pesa cerca de 15% no cálculo do PIB, e da construção - e ambas indicam declínio. Nas demais áreas, não há mais muito espaço para mudanças de desempenho, de acordo com o técnico.
Segundo explicou, pode ser que a indústria - que já vinha se ressentindo de estoques altos -, tenha antecipado um pouco da retração da atividade em setembro, produzindo menos e, desta forma, talvez não venha a ter uma atividade tão arrefecida na última parte do ano, como seria de se esperar.
Ele frisou, contudo, que em qualquer hipótese a situação do quarto trimestre não será boa e não há possibilidade de uma expansão do PIB que supere 1%. Para 99, ele não faz estimativas, mas assinala que pelo menos o primeiro trimestre deverá continuar com a economia em queda.
‘‘Reaquecimento, somente no segundo semestre’’, destacou, acrescentando, contudo, que o quadro está ainda excessivamente indefinido. Como o resultado do PIB em 98, embora muito modesto, ainda será positivo, não será interrompida a sequência de seis anos de crescimento da economia brasileira, iniciada em 93. Para o nível de renda da população, contudo, já vai haver mudanças, pois caso o PIB cresça, na melhor das hipóteses, 1% em 98, a renda per capita dos brasileiros vai cair pela primeira vez após cinco anos de ganhos.
Isto porque a expansão da economia será inferior ao crescimento da população - o aumento da renda per capita é calculado diminuindo da taxa de crescimento do PIB a taxa de crescimento da população, que é de 1,34%.
Segundo o IBGE, o PIB caiu 0,14% ante o mesmo período de 97 em consequência da queda de 2,06% na atividade da indústria em geral. Na mesma base de comparação, serviços apresentou expansão de 1% e a agropecuária cresceu 0,66%.
Conforme o IBGE, mais especificamente dois fatores determinaram a retração do PIB no terceiro trimestre: o comportamento da indústria de transformação (- 4,09%) e a redução no ritmo da construção civil, que teve no período uma evolução positiva de apenas 0,36%.
No trimestre, em relação ao trimestre imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal, a queda do PIB foi de 1,52% e atingiu a todos os setores: agropecuária (-7,72%), indústria (- 5,43%, com -4,71% para a indústria de transformação) e serviços (- 0,39%).
No caso do acumulado do ano, que para Olinto é o melhor indicador da tendência de declínio da economia, os fatores mais importantes foram o comportamento da agropecuária, que baixou que uma taxa acumulada até o segundo trimestre de 3,78% para 2,72%, e pela indústria, que desceu de um acumulado de 1,20% para 0,05%. O setor de serviços ficou estável no ano.

mockup