Brasília O desânimo tomou conta dos escalões técnicos da área econômica. ''Não fazemos nada além de tocar o dia-a-dia'', resumiu um técnico, repetindo a queixa comum a todos responsáveis por ''por a mão na massa'' para concretizar políticas do governo elaborando estudos ou redigindo propostas de novas regulamentações.
Para eles, a crise política ainda não abalou a economia, mas também não deixou nenhum espaço para consolidar suas bases. Resultado: crescimento menor. ''Tínhamos tudo para crescer forte, mas isso não está acontecendo'', lamenta o técnico. ''Estamos perdendo tempo'', concorda o ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Loyola, da Tendências Consultoria Integrada.
Faltam viabilizar medidas como a reforma tributária, por exemplo, prioridade há mais de uma década que está parada no Congresso. Ou tirar do papel as Parcerias Público-Privadas (PPP), cuja lei foi aprovada pelo Legislativo, mas falta formar o Fundo Garantidor (espécie de reserva de dinheiro e bens do governo que servirá para ressarcir o investidor, caso o projeto não dê o retorno esperado).
A nova Lei Geral das Microempresas daria alívio na carga tributária e na burocracia, mas o projeto elaborado pelo Sebrae, pronto há meses, ainda não foi para o Congresso. Outro projeto de lei engavetado é o que reestrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, prevendo análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) antes e não depois de o negócio ser concretizado.
É longa a lista de projetos de interesse da economia que poderiam estar avançando. É a chamada ''agenda positiva'', que o governo não consegue retomar. Com a crise, não há clima para votar nem as propostas que já estão tramitando.
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, dedica tempo e energia a ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ''tourear'' a crise mas tirou quatro dias de férias e autorizou dois auxiliares diretos os secretários do Tesouro, Joaquim Levy, e de Política Econômica, Bernard Appy a descansar por duas semanas. A paralisia é mais forte no BC, cujo presidente, Henrique Meirelles, é alvo de investigação pelo Ministério Público.
A área econômica toca as chamadas atividades de rotina: arrecadar impostos, administrar o caixa do Tesouro, organizar a execução do Orçamento deste ano e planejar o do ano que vem. De sua longa experiência no governo, Gustavo Loyola lembra que as trocas de comando têm poder paralisante sobre a máquina burocrática. ''Se o ministro está para sair, tudo pára.'' Nesse sentido, ele acha que as longas e complicadas reformas ministeriais do governo Lula são ''um problema gerencial grave, para dizer o mínimo''. E questiona: ''Como elaborar políticas desse jeito?''

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