Crise faz dólar fechar na maior alta do mês
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004
Sérgio Ripardo<br> Agência Folha 
São Paulo - A crise política em Brasília fez o dólar subir ontem 0,75% e fechar cotado a R$ 2,942, maior cotação do mês. Foi a quarta alta consecutiva da moeda americana, que não subia tanto em um único dia desde 29 de janeiro passado (1,20%).
O estopim para o mau humor dos investidores foi uma declaração do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, sugerindo o afastamento do ministro da Casa Civil, José Dirceu, durante as investigações do caso Waldomiro Diniz.
Após a repercussão negativa, ele disse que foi mal interpretado e que sua resposta foi induzida pela imprensa. Por sua vez, o porta-voz da Presidência, André Singer, descartou a saída de Dirceu.
Apesar dos desmentidos, o mercado seguiu pessimista, o que se traduziu na queda da Bovespa, na alta do risco Brasil e na desvalorização dos títulos da dívida externa.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de dólar futuro para o mês de maio subiu 0,30% e projetou a moeda americana em exatos R$ 3, no final dos negócios. ''Por causa das denúncias de corrupção, os investidores estrangeiros estão com um pé atrás em relação ao Brasil'', afirmou o analista da corretora Vision, Sérgio Paiva.
A espera pela decisão do Copom sobre juros, prevista para ser anunciada no início da noite de ontem, reduziu o volume de negócios, o que favoreceu oscilações bruscas nos preços dos ativos.
A crise política eclodiu na sexta passada com a divulgação pela revista ''Época'' do conteúdo de uma vídeo em que um dos homens de confiança de Dirceu aparecia negociando com um bicheiro contribuição para campanhas eleitorais.


