Arquivo FolhaFoco das atençõesBolsa da Argentina acumulou perda de 6,3% em uma semana críticaApesar de estar conseguindo retomar a confiança dos investidores estrangeiros, com a reabertura de linhas de financiamento e o ingresso de novos capitais, o Brasil não está livre de sofrer, mais uma vez, o impacto de crises externas, que poderiam prejudicar seriamente a recuperação do País. Depois das crises da Ásia e da Rússia, cujos efeitos acabaram levando à desvalorização do real, agora é a vez de a Argentina ameaçar o Brasil.
Na outra ponta estão os Estados Unidos, cuja vigorosa economia já começa a mostrar sinais de inflação. Resultado: o Fed, o banco central americano, ameaça elevar os juros, o que pode afetar o fluxo de capitais estrangeiros para países emergentes, como o Brasil.
A Argentina voltou, na semana passada, a estar no foco de atenção dos investidores internacionais, como não acontecia desde as crises causadas pelo efeito Tequila e pela queda do ministro da Economia Domingo Cavallo. O problema é a crescente desconfiança sobre a capacidade do governo argentino de controlar o déficit fiscal, num cenário de queda da arrecadação, por conta da redução do nível de atividade e de aumento do gasto público em um ano eleitoral.
A Bolsa de Buenos Aires - que vinha em tendência de alta, devido à compra da petroleira YPF pela espanhola Repsol - teve dois dias de forte queda e fechou a semana com desvalorização acumulada de 6,38%. No mercado interbancário, os juros saltaram de 5% para de 7% a 7,5% ao ano. Já o dólar se valorizou mais de 3% no volátil mercado futuro de balcão.
‘‘Quando um país começa a ser atacado financeiramente é difícil ser otimista sobre o futuro. De qualquer forma, a economia argentina vai suportar a pressão’’, afirma Juan Aranz, economista-sênior do Banco Río, controlado pelo espanhol Santander. A falta de confiança dos investidores aumentou com a divulgação da situação fiscal do governo em abril.
De acordo com dados do Ministério da Economia, o déficit público cresceu 84% no mês passado, em comparação ao mesmo período de 1998, alcançando a casa de US$ 839,9 milhões. Grande parte desse resultado foi consequência da elevação de 79% nos gastos. E do lado da arrecadação, as perspectivas não são das melhores.
Várias consultorias prevêem que a Argentina não poderá cumprir a meta de déficit de US$ 5,1 bilhões firmada com o Fundo Monetário Internacional: rombo será no mínimo de US$ 7 bilhões nas contas públicas este ano. ‘‘Os números do déficit argentino são muito menores do que os do Brasil, mas preocupam devido ao sistema de conversibilidade e à história do país de hiperinflação provocada por desequilíbrio fiscal’’, lembra Aranz.
Um dos maiores riscos para o sistema financeiro internacional está hoje nos Estados Unidos - o maior exportador de capitais do mundo. O vertiginoso crescimento da economia americana, paradoxalmente, está nas raízes da preocupação. O Federal Reserve (Fed,o banco central americano) mudou o sinal de sua política, em sua última reunião, e anunciou que a tendência para as taxas agora é de alta, porque a inflação está subindo.
O primeiro reflexo de um aumento de juros nos EUA, para o Brasil, é a possível fuga de capitais que hoje estão vindo para cá atrás da rentabilidade proporcionada pelos juros domésticos.

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