As crises externas de 1997 e 1998, que atingiram o sudeste asiático e a Rússia, castigaram mais o mercado de trabalho no Brasil do que a forte recessão do início da década de 80, revela estudo inédito da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo mostra a evolução da taxa de desemprego, desconsiderando os efeitos sazonais.
Em 1983, quando houve uma desvalorização da moeda de cerca de 30%, o desemprego médio foi de 6,74%. No ano seguinte, também afetado pelo ajuste cambial, a taxa subiu para 7,09%. Uma quinzena de anos mais tarde, quando o País sofreu fortemente os efeitos de duas sucessivas instabilidades, a asiática e a russa, o desemprego atingiu de forma mais severa a população. Como consequência da turbulência na Ásia, a taxa explodiu: foi a 7,61%, mantendo-se praticamente no mesmo nível em 1999 – 7,56% –, ano afetado pela crise russa.
Para o economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Marcelo Neri, especialista em mercado de trabalho, a explicação para as taxas maiores no final dos anos 90 é a política monetária. No início da década de 80, vigorava, como hoje, o câmbio livre. Isso, segundo ele, permitiu um impacto menor na atividade econômica e, consequentemente, no nível de emprego.
‘‘Com o câmbio fixo, vigente até a desvalorização de janeiro de 1999, o choque se deu via aumento expressivo das taxas de juros.’’ De acordo com Neri, elevar juro afeta de forma muito mais drástica a economia, por reduzir a oferta de crédito. Na época da crise cambial brasileira, a taxa de juro chegou a atingir 45%. Atualmente, está em 18,25%.
Em momentos de crise existem duas soluções para evitar fuga de capitais e atrair novos investimentos estrangeiros: mexer no câmbio, deixando-o flutuar, ou na taxa de juros, elevando-a. Essa decisão depende do modelo de política monetária adotada.
Historicamente, taxas de desemprego menor em dezembro sempre são verificadas por causa das contratações de fim do ano. O desemprego também é, em geral, maior no primeiro trimestre do que nos últimos. Essas tendências são explicadas por fatores sazonais. Para retirar a sazonalidade da taxa mensal de desemprego, o Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE fez um trabalho no qual concluiu que 79,26% das oscilações mensais são explicadas por fatores excepcionais.

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