Uma das consequências negativas da crise no mercado de trabalho tem sido o retrocesso no emprego formal, com carteira de trabalho assinada, uma das conquistas sociais do setor na década passada. O total de trabalhadores com carteira assinada – e protegidos, portanto, pela legislação trabalhista – recuou 1,5% frente ao trimestre encerrado em novembro. O resultado representa perda de 527 mil vagas formais. Na comparação ao mesmo período do ano passado, o número de trabalhadores que perderam o status de carteira assinada somou 1,367 milhão, uma queda de 3,8%.

Sem conseguir novo emprego de carteira assinada, muitos brasileiros têm procurado se reinserir no mercado de trabalho em atividades consideradas mais precárias e menos estáveis. É o caso do trabalho autônomo, por exemplo. O número de trabalhadores exercendo atividades por conta própria – pessoas que tem seu pequeno negócio, sem auxílio de mão de obra remunerada – cresceu em 676 mil na comparação ao trimestre fechado em novembro de 2015, alta de 3%. Outra forma de emprego que tem crescido é o doméstico. Após alguns anos em retração, o número de empregadas domésticas (95% são mulheres) teve aumento de 165 mil em base anual, de 2,7%. Como a série histórica da Pnad Contínua é relativamente curta, a partir de 2012 a consultoria LCA estimou os resultados trimestrais da pesquisa desde 1995, com base em diferentes indicadores. Por essa série, a atual taxa de desemprego é a maior desde meados de 2004. (B.V.B./Folhapress)

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