Crise expõe fragilidade da infra-estrutura aérea
A crise nos aeroportos brasileiros, que vem ocorrendo há quase um ano, está confirmando mais uma faceta do Brasil que vinha sendo escondida: a falta de infra-estrutura básica para suportar o crescimento do país. Para onde se olha há problemas. Bastou a economia avançar um pouquinho - e mesmo assim muito abaixo do verificado nos principais mercados mundiais - para que os problemas surgissem. Com a economia crescendo as pessoas viajam mais a negócio e a passeio. E o que parece é que os principais aeroportos brasileiros não estão preparados para esta demanda.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o agronegócio está se recuperando depois de três anos de baixa e a safra agrícola deste ano deve somar 132 milhões de toneladas. O que deveria ser uma ótima notícia, sob o aspecto da infra-estrutura, a supersafra pode trazer mais problemas. O Porto de Paranaguá, que é um dos principais escoadouros da safra para o exterior está muito aquém do ideal. Para piorar praticamente todo o transporte de grãos é feito através de rodovias, cada vez mais pedagiadas, e que não oferecem segurança para os motoristas.
Segundo um estudo feito sobre a infra-estrutura brasileira, os trens no Brasil alcançarão em 2008 a velocidade média de 37 quilômetros por hora, menos do que os ciclistas que competem nos jogos Pan Americanos. Isto se os investimentos para o setor forem efetivados. Na Austrália, na Índia e nos Estados Unidos esta velocidade é de 80 km/hora. O custo do transporte pela via férrea é 50% menor do que pelas rodovias. Os mais de 1,7 milhões de quilômetros de rodovias requerem investimentos anuais da ordem de R$ 12 bilhões/ano, por 5 anos, para serem recuperadas. Em 2005, o orçamento foi de 4 bilhões e não foi todo investido.
Segundo este mesmo estudo da geração, passando pela transmissão até a distribuição de energia elétrica, ocorrem perdas de até 16%, quase o dobro do aceito mundialmente. Entre a captação, tratamento e distribuição da água, há uma perda de mais de 40%, sem contar o desperdício nas próprias residências.
''O ministro Nelson Jobim, ao assumir o ministério da Defesa no lugar do antecessor Valdir Pires foi enfático ao dizer que houve incompetência de antever o problema nos aeroportos. Foi mais do que incompetência. Foi irresponsabilidade. Era uma corrida contra a parede. As autoridades sabiam que a parede estava lá e mesmo assim permitiram que a tragédia acontecesse. E o pior é que esta irresponsabilidade está em várias áreas do governo'', comenta o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Martins Ribeiro.
Segundo ele, a frase do presidente Lula de que quando viaja de avião ''entrega a Deus'', mostra bem o grau de irresponsabilidade de como são tratadas as coisas públicas. ''Ora, se o próprio presidente diz isso o que dá para esperar? Ele é o responsável por fazer o país se modernizar, melhorar, crescer. Se ele acha que não consegue resolver isso, quem o fará? Já passou da hora do Brasil mudar. De tratar a coisa pública com responsabilidade. De parar com os apadrinhamentos nos postos chaves da máquina administrativa. A política é a chave para solucionar os problemas do país. E está na hora de pensar em competência não dá mais para brincar de governar'', reforça Ribeiro.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)





