Rio O quadro de retração da demanda do varejo, estabilização do câmbio e encolhimento da renda do trabalhador está formando uma barreira ao repasse de aumentos de preços neste início de ano. A variação de preços medidos pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em fevereiro (1,40%) foi cinco vezes menor do que a registrada em novembro (7,24%). Além disso, o setor deverá fechar o trimestre com vendas estagnadas ou em queda, comparado a 2002.
''Diminuiu a pressão por aumentos de preços, tanto que nossa pesquisa mostra isso'', disse o presidente da Abras, João Carlos de Oliveira. No segundo semestre de 2002, a variação dos preços de 35 produtos de largo consumo medida pela Abras somou 23,5%.
Depois de subir cinco meses seguidos, em paralelo à escalada do dólar, a variação começou a declinar a partir de dezembro. Nos dois primeiros meses deste ano, o aumento da cesta acumula 3,3%.
Além do recuo do câmbio, a demanda está retraída, o que dificulta os reajustes de preços. ''O mercado está muito frio. Até os fornecedores que tinham negociado e programado aumentos parcelados não estão cobrando estes aumentos, porque a demanda está extremamente fraca'', confirmou o diretor de vendas da Sendas, Valdemar Machado. O presidente da Abras aponta, contudo, que o setor de higiene e limpeza vem propondo aumentos menores, mas frequentes.
Oliveira antecipou que o setor de supermercados deverá fechar o primeiro trimestre do ano estagnado ou com redução nas vendas reais, na comparação com o mesmo período do ano passado. Ele informou que as vendas no bimestre estão 1,4% superiores ao período no ano passado, mas pondera que, no ano passado, o Carnaval, período de vendas fracas, caiu em fevereiro, o que favoreceu a performance do mesmo mês este ano.
Já o Carnaval deste ano aconteceu em março e o efeito na comparação será o oposto do verificado no mês passado. O número de dias úteis em março do ano passado foi maior e a base de comparação vai prejudicar a comparação. ''Quando março entrar e consolidar o trimestre, deverá zerar ou tornar negativo o crescimento no trimestre'', disse Oliveira. ''Por isso, quando aparecem fornecedores buscando majoração, negociamos. Se a venda já está ruim, imagina com preços mais altos'', diz.

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