Com menos dinheiro no bolso, londrinenses trocam produtos caros por marcas similares mais acessíveis nas gôndolas dos supermercados. E, por necessidade, tem muita gente cortando os itens mais supérfluos da lista de compras. A tendência reflete o cenário verificado no resto do País. Pesquisa realizada pela Pythia Research indica que 24% dos consumidores brasileiros pretendem comprar menos comida nos próximos três meses.
Em dezembro, a intenção de reduzir os gastos com alimentos no primeiro trimestre deste ano era bem menor, de 15,1%. Em relação a março de 2003, o resultado deste ano é melhor. Naquele período, 35,2% planejavam reduzir as compras de comida.
Outro dado relevante é que, de um ano para outro, diminuiu o contingente que planeja ampliar a compra de alimentos - de 15,2% em março de 2003 para 14,3% em março deste ano - e cresceu de 48,6% para 60,7% a fatia dos que pretendem não alterar o volume de compras de comida.O instituto de pesquisa ouviu 750 consumidores em 151 cidades dos 27 estados, entre 1º e 19 de março.
A artesã Clemência Correia, 54, conhece bem a realidade descrita pela pesquisa. Dependente de uma pequena aposentadoria, ela não tem escolha: sempre compra as marcas mais baratas. Para encaixar as necessidades da família no orçamento apertado, Clemência simplesmente cortou alguns itens da lista. ''Não compro mais bolacha nem carne. O dinheiro não dá'', reclama.
Com gasto semanal de R$ 50,00 na aquisição de alimentos e material de limpeza, a aposentada Arnete de Fátima, 50, ainda não precisou cortar produtos da lista, mas já trocou a marca de muitos artigos para não aumentar a conta do supermercado. Ela não é fiel à marca de biscoito, fermento, farinha, papel higiênico, vinagre, sabão em pó e amaciante, entre outros. ''Procuro produtos baratos que tenham qualidade'', explica. Por outro lado, não costuma mudar a marca de arroz, feijão, óleo, creme dental e detergente.
É o mesmo caso da dona de casa Janete da Silva Souza, 37, que costuma comprar as marcas mais baratas dos itens considerados supérfluos. A lista inclui biscoito, refrigerante, leite e guloseimas em geral. A fidelidade é mantida para o arroz, o feijão, o óleo, a margarina e o iogurte.
Mãe de três crianças entre três meses e 12 anos, ela conseguiu diminuir em quase 40% o valor da compra mensal depois que parou de levar os filhos ao supermercado. ''Eles querem tudo o que vêem'', contou. A economia foi de quase R$ 400,00. ''Gastávamos R$ 1 mil por mês. Agora, a conta fica entre R$ 600,00 e R$ 700,00'', disse. (Com Agência Estado)

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