Crise econômica chega às pizzarias
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de novembro de 2002
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A alta do dólar e a competitividade podem ter tido influência na queda do movimento nas pizzarias de Curitiba. A retração oscila em média entre 40% e 50% nos últimos três meses. Muitas pizzarias tiveram que fechar as portas por acumularem prejuízos com o preço dos insumos que subiram durante todo o ano, enquanto a pizza no balcão ficou com preço estável.
A auxiliar administrativa da Big Pizza, Mariana Menini, contou que vendia frios para várias pizzarias em Curitiba. Mas teve de parar com a distribuição por causa da inadimplência. Algumas pizzarias fecharam as portas. Outras ficaram inadimplentes para conseguir manter os preços a R$ 6,00 no balcão, afirma.
A Big Pizza é uma das pizzarias que mantém o preço. Fica em frente à uma outra, que concorre diretamente no preço. Conseguimos nos manter por causa do giro que é grande. Temos muitos clientes diariamente. Se não fosse a quantidade vendida, a lucratividade seria zero, analisa.
A alta no peços dos insumos é o grande responsável pela dificuldade dos proprietários de pizzarias. A farinha de trigo subiu este ano 50%, de acordo com os cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), enquanto a lata de óleo teve alta de 60%, o leite, 7,87%, e o tomate 10,77%. Outros insumos, como açúcar e ovos, também tiveram reajuste nos preços.
Uma lata de óleo de soja de 18 litros, que antes podia ser adquirida por R$ 18,00, agora é encontrada por R$ 50,00. A caixa de tomate, com 25 unidades, passou a valer R$ 27,00. Uma caixa com 30 dúzias de ovos custava R$ 20,00 e agora é comprada por R$ 40,00. Temos que aceitar o preço que encontramos para comprar porque o produto está faltando no mercado, enfatiza Mariana.
Para ganhar clientela, a pizzaria investe em diferenciais. A pizza pode ser pega no balcão rapidamente, em 15 minutos. A concorrência é muito grande. As empresas que querem sobreviver no mercado precisam alterar a composição dos preços e investir em custo e qualidade, analisa o supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro. De acordo com ele, uma das causas para a queda no movimento nas pizzarias é a renda do consumidor brasileiro que caiu entre 2% a 5% nos últimos 12 meses.


