Crise econômica atinge supermercados
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segunda-feira, 21 de outubro de 2002
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A alta dos juros e a desvalorização do real está preocupando o setor supermercadista. ''Esses fatores sinalizam a volta da inflação'', afirmou Ademar Vedoato, vice-presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras). A entidade promoveu em Londrina a 1 Convenção Regional de Supermercados, encerrada ontem no Shopping Catuaí.
De acordo com Vedoato, que também é presidente da Apras Regional de Londrina, o preço das mercadorias está subindo enquanto o salário do consumidor não aumenta. A consequência é que os clientes passam a comprar menos.
Os campeões de encarecimento são farinha de trigo, óleo, arroz, macarrão, biscoito, margarina e derivados de chocolate. ''O fubá, que sempre foi barato, subiu mais de 100%'', comentou, acrescentando que a queda de preços depende da desvalorização do dólar.
Outro fator que influencia o desempenho das vendas é o desemprego. ''Quando há um desempregado na família, a renda familiar diminui, reduzindo o consumo'', explicou. Ele acrescentou ainda que o setor enfrenta a concorrência indireta de serviços como TV a cabo, internet e telefone celular. Para usufruir dessas comodidades, os brasileiros passaram a gastar uma parcela menor de sua renda com compras de supermercado.
Esse cenário traz uma expectativa pouco animadora de crescimento. O setor espera crescer 0,5% neste ano, quando o ideal seria atingir pelo menos 2%. ''Essa previsão foi feita antes da turbulência econômica. Pode ser que tenhamos crescimento zero'', salientou.
O Natal do brasileiro, dentro dessa conjuntura, também será diferente. Como os produtos importados estão muito caros, o setor está apostando nas mercadorias nacionais. ''Em vez de comprar frutas secas, o consumidor vai preferir produtos de época'', exemplificou.
Apesar das dificuldades, o segmento continua investindo na reforma das lojas e na abertura de novos estabelecimentos. Vedoato explicou que há um crescimento no volume de metros quadrados construídos, o que não significa um aumento global da atividade. ''Quando uma empresa abre, outra está perdendo'', opinou.
Consumidor esperto - O presidente regional da Apras comentou que os consumidores brasileiros deixarem de ser fiéis às marcas mais conhecidas. Conscientes de que é possível trocar o produto famoso pelo similar mais barato sem perder a qualidade, os clientes acabam optando pelo preço. ''Dependendo dos produtos, as marcas menos conhecidas ou regionais lideram as vendas'', revelou Vedoato.


