Menos de duas semanas depois de anunciar a auto-suficiência na produção de petróleo, o governo brasileiro e a estatal Petrobras foram surpreendidos pela decisão do governo da Bolívia de nacionalizar as reservas de gás do país.
O Brasil importa da Bolívia atualmente cerca de 50% do gás que consome – em torno de 25 milhões de metros cúbicos por dia, para um consumo de cerca de 45 milhões de metros cúbicos dia. É esse gás que abastece 75% das indústrias de São Paulo e 100% de muitas indústrias da Região Sul, inclusive o Paraná.
Com a nacionalização, a estatal brasileira terá que pagar 82% de impostos sobre o que importar. Ou deixar o país. O problema é que o Brasil não tem outro fornecedor.
De acordo com o governo boliviano, o preço pago atualmente pela Petrobras pelo gás explorado no país está muito abaixo do praticado no mercado internacional. O Brasil paga à Bolívia US$ 3,26 por milhão de Unidades Térmicas Britânicas (BTU), medida utilizada para quantificar financeiramente o gás natural. No mercado internacional, o milhão de BTU está cotado em US$ 9.
O gás importado da Bolívia não tem nada a ver com o Gás Liquefeito de Petróleo, o GLP, que usamos para cozinhar. Seu uso mais comum é na indústria e nas residências. Ele é produzido internamente nas refinarias da Petrobras. Já o gás natural é usado principalmente pela indústria. Em fevereiro deste ano, 55,8% de todo o gás consumido era destinado para este mercado. As usinas térmicas ficaram com 28%; os veículos, 13,9%; as residências, 1,1%; e o comércio,1,2%. Segundo analistas, o Brasil tem potencial estimado em 880 bilhões de metros cúbicos de gás natural, o que garantiria o abastecimento do mercado atual por cerca de 50 anos. Mas a falta de investimentos na procura do combustível faz com que a maior parte desse volume ainda não tenha sido explorado. Hoje, há só 300 bilhões de metros cúbicos comprovados no País, menos da metade das reservas da Bolívia, de 620 bilhões de metros cúbicos.

Empresa estatal é controlada, totalmente ou em sua maior parte, pelo governo, seja ele federal, estadual ou municipal. Nos últimos anos, boa parte delas foi vendida para empresas nacionais ou internacionais, o que é chamado de privatização.

É uma unidade de medida para volumes, padrão no Sistema Internacional de Unidades. É derivada do metro, sendo equivalente a um cubo (sólido) com arestas de 1 metro. No dia a dia utiliza-se muito o litro, que equivale a 0,001 metros cúbicos, ou um decímetro cúbico.

O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.

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