Crise do café afeta economias municipais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de dezembro de 2001
Raquel Massote<br>Agência Estado 
A placa que anuncia a chegada a Três Pontas afirma que o município é ''o maior produtor de café do mundo''. O que poderia ser motivo de orgulho para os habitantes da cidade, no entanto, se transformou em desalento. De acordo com os comerciantes locais, o último Natal, que tradicionalmente é a melhor época do ano para o segmento, ''foi o pior dos últimos tempos''. Com queda estimada de 10% nas vendas em relação ao ano passado, o comércio aponta que o prejuízo não foi causado apenas pela conjuntura econômica nacional, com juros altos, elevação na cotação do dólar e recessão. O motivo principal foi a queda nos preços do café, produto que é a força motriz da atividade econômica do município.
Localizada a 333 quilômetros de Belo Horizonte, Três Pontas cresceu e passou por ciclos de desenvolvimento que acompanhavam a evolução dos preços do café. Atualmente, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o município possui a segunda maior área plantada do Estado, com 22 mil hectares, e atingiu uma produção na safra 2001/2002 de 366,6 mil sacas.
Tradicionalmente, o ciclo produtivo do produto é bianual, com alternância no volume produzido de ano a ano. Desde 1999, no entanto, a falta de chuvas ou a incidência de geadas, fatores que costumam afetar a produção, não vêm exercendo influência significativa nos preços, como sempre ocorreu. As cotações, apesar de todas as intempéries climáticas e quedas na produção brasileira, sofreram reduções significativas. De acordo com dados do Cepea /Esalq, a média de preços do produto no mercado brasileiro passou de R$ 150 a saca, em julho de 2000, para um patamar de R$ 110 a saca, em novembro deste ano, o que representa uma diminuição superior a 35%.
O Estado do Paraná que já foi grande produtor de café, não tem os mesmos problemas na produção. Com o fim do ciclo do cafeeiro, as propriedades estão mais diversificadas.
Técnicos, produtores e especialistas no assunto apontam que o comportamento atípico dos preços do café está diretamente relacionado ao excesso de produto no mercado e à entrada da produção de outros países, como o Vietnã, que interferiram no poder de barganha do Brasil.


