Curitiba ''A crise brasileira será bem pior que a da Argentina. Será uma verdadeira tragédia. Enquanto a Argentina tem 13 milhões de miseráveis, nós temos 63 milhões.'' Com frases como esta o professor da Universidade Nacional de Brasília (UNB), José Walter Bautista Vidal, fez duras críticas ao modelo econômico brasileiro. O especialista em energia e meio ambiente participou, ontem, do 3º Seminário Nacional de Ciência e Tecnologia, promovido pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), com apoio da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná.
Vidal culpa o modelo ''desenvolvimentista'' herdado da Comissão Econômica para América Latina (Cepal) pelo caos na economia, que incentivou a vinda de indústrias estrangeiras para o País. A industrialização promoveu a abertura de empresas com capital nacional, mas atreladas ao ''pacote tecnológico'' ditado pelos estrangeiros. ''Foi um grande equívoco histórico que cometemos'', completou.
Para o professor, o Brasil ''não faz valer suas imensas potencialidades'' porque ainda mantém o pensamento ''colonial'' e uma ideologia política que nega a ciência e a tecnologia. Ele acredita que se o País soubesse aproveitar seus recursos naturais seria a maior potência do mundo.
A matéria-prima, a energia e a tecnologia, disse Vidal, são as três variáveis mais importantes do processo produtivo e coisas que o Brasil tem de sobra. ''O mundo está em colapso com o fim dos combustíveis fósseis e a grande força de poder e transformação está aqui nos trópicos'', destacou.
Vidal citou como exemplo a energia solar. Segundo ele, a incidência de sol durante um dia no Brasil é capaz de gerar energia correspondente a 350 mil ''Itaipus''. ''Ignoramos isso e vamos atrás de combustível sujo, que destrói o equilíbrio termodinâmico da atmosfera'', criticou.
O professor universitário não mediu palavras quando se referiu ao sistema econômico internacional. ''Temos que nos livrar desse ninho de cobras que nos dominou durante décadas. Esse odiento, canalha e delinquente sistema econômico.'' As considerações que Vidal faz em torno do ''modelo econômico suicida brasileiro'' estão reunidas no livro ''A Dialética dos Trópicos'', que deverá ser lançado dentro de duas semanas.

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