Vânia Casado

DivulgaçãoRESULTADOGovernador Jaime Lerner, que participou da manifestação, anunciou diferimento do ICMS para leite longa vida As indústrias de laticínios e cooperativas do setor leiteiro estão trabalhando no vermelho e já começaram a demitir funcionários. Os produtores de leite estão vendendo animais e reduzindo investimentos em assistência técnica e tecnologia. Esse é o saldo da maior crise que se abateu sobre o setor leiteiro nacional, que só no Paraná está prejudicando 80% dos 40 mil produtores paranaenses que têm no leite uma das principais fontes de renda. Para reverter essa situação, agravada com importações irregulares de leite, a comissão de Agricultura da Câmara Federal realizou ontem uma audiência pública em Curitiba e lançou o movimento S.O.S. Leite.
O evento reuniu os principais líderes do setor leiteiro e da agropecuária dos três estados do Sul, produtores, industriais de produtos lácteos e representantes de cooperativas. O protesto que reuniu cerca de 500 produtores do Sul do país foi precedido por movimento semelhante em Goiânia. Novos eventos estão programados para as cidades de Recife, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde serão colhidas as sugestões dos produtores que serão enviadas ao governo federal para formular uma política nacional para o setor leiteiro. O governador Jaime Lerner participou do protesto dos produtores e anunciou investimentos aos produtores, através de diferimento no recolhimento do ICMS do leite longa vida.
A origem da maior parte dos problemas que atinge o setor leiteiro são as facilidades para a importação de leite em pó, que recebe subsídios de até 70% nos países de origem e permite ganhos financeiros aos importadores. Esse leite tem seu custo fixado em R$ 0,35 o litro na Europa, mas chega aqui entre R$ 0,12 a R$ 0,15 o litro, enquanto o custo médio de produção de leite no Paraná é de R$ 0,25 o litro. Os produtores paranaenses recebem entre R$ 0,18 e R$ 0,20 por litro. Além disso, os importadores têm prazo de até 500 dias para pagar a mercadoria, com juros de 8% ao ano. ‘‘Com essas vantagens é impossível concorrer com o produto importado e o único caminho que resta é desfazer as leiterias como já está ocorrendo na região Norte do Paranᒒ, afirmou o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço.
‘‘Na verdade, o que era para ser uma operação comercial, acabou resultando numa operação estritamente financeira, onde o importador aplica o dinheiro do leite em outras atividades’’, destacou o deputado federal Hugo Biehl (PPB-SC), presidente da Comissão de Agricultura, da Câmara Federal. Entre as reivindicações que serão apresentadas ao governo federal está a valoração aduaneira dos produtos lácteos importados com base em preços praticados na Europa, redução do prazo de financiamento das importações e elevação da TEC para 23%.
Essas medidas visam a redução das importações que triplicaram nos últimos anos. Em 1997, foram importadas 146 mil toneladas de leite em pó, que correspondem a 1,46 bilhão de litros de leite. Com o aumento das importações e a produção nacional da ordem de 20,3 bilhões de litros por ano, está havendo um excedente de 1 bilhão de litros de leite no mercado.

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