Curitiba - Representantes de seis centrais sindicais e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) se reuniram ontem em Curitiba para discutir estratégias de negociações coletivas durante a crise. Entre os principais desafios está a união de diferentes entidades sindicais em torno de um discurso único. ''A unidade das centrais para nós é fundamental'', disse Sérgio Mendonça, do Dieese Nacional.
Para Miguel Paes, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a crise chegou ao Brasil num momento em que os trabalhadores estavam colecionando pequenas vitórias nas negociações salariais. ''Estavamos num bom momento. 90% dos acordos coletivos registraram ganhos, mesmo que pequenos'', apontou. A manutenção desses ganhos vai depender, disse o sindicalista, da ''capacidade das centrais sindicais de dialogar''.
Paes defendeu a definição de uma ''agenda mínima'' entre os sindicatos. ''A diversificação sindical dos últimos anos é irreversível, mas nesse momento o que temos é um desafio em comum'', analisou. Para Marcelo Urbaneja, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), os sindicatos precisam estar preparados para ''o diálogo técnico com o empresariado para evitar que a conta da crise seja paga pelos trabalhadores''. E alerta: ''O discurso do empresariado está alinhado numa pressão pela redução de vagas de emprego e de salários mesmo que os efeitos reais da crise não justifiquem isso''.
A reunião das centrais e do Dieese aconteceu durante a II Jornada Nacional de Debates - Negociações Coletivas em contexto de crise, que aconteceu no Sindicato dos Engenheiros do Paraná. ''Estamos promovendo essas discussões em todas as 27 cidades em que a instituição tem representação'', explicou Mendonça.
Para o técnico do Dieese, a unificação de lutas entre as centrais sindicais já tem vitórias significativas para comemorar. ''Conseguimos um ganho real no reajuste do salário mínimo com base no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto)'', apontou.
''Há vinte anos o movimento sindical não atuava em debates de políticas mais amplas. Hoje o papel político dessas centrais já está consolidado'', lembrou. Mendonça adiantou que as centrais devem manter em 2009 a luta pela redução dos juros e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários.
''A queda dos juros não é propriamente um tema relevante na mesa de negociações trabalhistas, mas é uma questão que afeta o trabalhador, a produção e as centrais tem atuado junto ao governo reivindicando isso'', explicou.
Para o Dieese, o impacto da crise no Brasil tem que ser monitorado diariamente. ''O país não escapou da crise, mas ela afetou regiões do país e setores da economia de força diversificada e o desafio é levar essas diferenças para a mesa de negociação'', revelou.

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