Crise derruba salário de catadores de recicláveis
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, sediado em São Paulo, calcula uma queda média de 62% do valor destes produtos no mercado internacional desde o estouro da crise financeira. A conjuntura de preços abalou o bolso do catador com a perda de até metade da renda. A entidade prevê que há quem ganhe atualmente meio salário-mínimo por mês.
Em Curitiba, a recicladora Sirlei Aparecida Corrêa reclama que os ganhos não chegam a R$ 100 por semana. Até o final do ano, segundo ela, a renda média na Associação Catamares, a qual é afiliada, era de pelo menos um salário mínimo. Ela está na profissão há seis anos e nunca tinha visto uma situação tão ruim. Sirlei e o marido estão lutando para pagar as contas. Precisamos recolher mais para continuar a receber a mesma coisa, calcula. De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, só na Capital, os catadores recolhem mais de 400 toneladas por mês.
Muita gente foi procurar outro serviço porque não conseguiu fechar as contas, explica a representante do Movimento Nacional em Curitiba, Marilza Aparecida de Lima. Ela afirma que o catador cooperado ainda consegue um valor melhor na venda devido ao volume e ao tratamento do material, que segue para a indústria já separado e prensado. Quem vende para ferro-velho está ganhando menos, analisa.
Na tabela da Catamares, o metal foi o que apresentou uma das maiores desvalorizações. Em dezembro, devido ao grande volume arrecado, a cooperativa recebia R$ 4 por quilo de latinhas de alumínio. Agora o valor pago varia entre R$ 1,30 e R$ 1,80. O papelão retraiu de R$ 0,32 para R$ 0,15; papel branco de R$ 0,60 para R$ 0,35; cobre de R$ 25 para R$ 5; o da garrafa PET de R$ 1,10 para 0,70; e a sucata de R$ 0,32 para 0,05.
A tabela para os catadores formiguinhas, aqueles que não atuam em cooperativas e vendem individualmente para ferro-velhos, é diferente. Marilza explica que estes trabalhadores são mais explorados e ganham menos. No ferro-velho, o quilo do papelão, por exemplo, está por R$ 0,05 e o do papel branco R$ 0,17.
O presidente da Catamares, Valdomiro Ferreira da Luz, explica que o preço baixo fez aumentar a oferta de produtos na rua. Muitos condomínios deixaram de vender o material por conta própria por considerar que não vale à pena, afirma. A associação processa 40 toneladas por mês e atende 70 catadores cadastrados de Curitiba, Região Metropolitana e até do Litoral.
Marilza diz que embora exista fartura, as cooperativas, de modo geral, enfrentam o problema de infraestrutura para processar toda a sobra. Temos gargalos na logística e falta de capital de giro para investir em maquinário e novos espaços. Nossa prioridade é pagar o cooperado, enumera.


