Agência Folha
De São Paulo
A crise do real e a instabilidade da economia neste ano atingiram em cheio as empresas de pequeno e médio porte, segundo pesquisa Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em São Paulo. O faturamento médio das empresas até setembro foi 4,9% menor que o mesmo período de 98. Entre agosto e setembro, a queda foi de 3,5%, apesar de ter crescido 10,9% contra setembro de 98.
‘‘O encarecimento do dólar torna as matérias-primas mais caras, o que entra no custo’’, afirma Marco Aurélio Bedê, gerente de pesquisas econômicas do Sebrae. Pelas suas estimativas, entre 1 milhão de empresas de pequeno porte existentes em São Paulo, apenas 2.000 são exportadoras.
O economista, no entanto, diz que o aumento das exportações pode beneficiar as pequenas empresas indiretamente. ‘‘À medida em que as grandes empresas aumentam suas exportações, as encomendas para as pequenas aumentam’’.
Para o quarto trimestre deste ano, Bedê espera uma ligeira melhora. ‘‘O pagamento do décimo-terceiro poderá dar um impulso ao consumo’’, estima Bedê. ‘‘Com essa melhora, o faturamento das empresas este ano vai ficar estável em relação ao ano passado’’.
O economista da Sebrae afirma, entretanto, que a melhora pode ser prejudicada pelo aumento da inflação, o que vai dificultar o repasse de preço das pequenas empresas e acirrar a concorrência com os grupos de maior porte.
O Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi) diverge da análise feita pelo Sebrae. Joseph Couri, presidente do Simpi, as pequenas empresas têm uma diversidade de matérias-primas e insumos que foram substituídos pela produção interna com a desvalorização.
Segundo Couri, a variação cambial privilegiou o parque fabril brasileiro porque elevou o preço do produto importado em 90% e a indústria nacional o substituiu. ‘‘Aquele que só importava e revendia o produto foi prejudicado com a desvalorização cambial. Não dava mais para continuar naquela situação. Ser colônia não é bom para ninguém’’, afirmou.
Os números da pesquisa feita pelo Simpi são bem mais animadores. O número de empregos diretos dados pela microempresa passaram de 790,4 mil para 846 mil entre setembro de 1998 e setembro de 1999 (crescimento de 7%). Para o Simpi, o uso da capacidade instalada das empresas aumentou 2%, passando de 62,4% para 64,4% entre agosto e setembro de 1999.

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