Crise deixa rombo de 44 mil demissões no Paraná
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A crise afeta a geração de empregos no Paraná em diversos setores. No último trimestre de 2008 - outubro, novembro e dezembro - foram fechados 43.993 postos de trabalho no Estado. No mesmo período do ano passado foram perdidas 9.147 vagas. Os números mostram o reflexo imediato da crise financeira. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Para tentar aliviar o número de demissões os sindicatos e entidades patronais estão recorrendo a alguns acordos de trabalho. Os recursos mais utilizados têm sido suspensão de contratos de trabalho, redução de jornada e férias coletivas.
De acordo com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o setor que mais demitiu foi a indústria de transformação que fechou 29.987 postos de trabalho entre outubro e dezembro, quase o triplo que no mesmo período de 2007, quando ocorreram 11.644 demissões. No segmento de serviços foram fechadas 6.985 vagas contra a criação de 701 empregos no último trimestre de 2007. Na construção civil, o balanço também foi negativo com a perda de 3.977 empregos contra um corte de 1.778 em 2007. Na área de administração pública foram fechadas 1.393 vagas contra a criação de 107 no mesmo período do ano anterior.
Silva acredita que o impacto da crise não será tão grande ao longo de 2009 como foi no último trimestre de 2008.
Só no setor metalmecânico foram 4 mil demissões em Curitiba e Região Metropolitana. A Renault, localizada em São José dos Pinhais, suspendeu os contratos de trabalho de mil funcionários por cinco meses. A metalúrgica Atra, também de São José dos Pinhais, reduziu a jornada de trabalho com diminuição nos salários, mas prevendo reposição do salário no segundo semestre. O acordo vale por 30 dias.
''A grande dificuldade é que as empresas não sabem se o mercado vai retomar daqui a dois ou três meses'', disse o presidente do Sindimetal, Roberto Karam. Em dezembro do ano passado, a Bosch demitiu 200 funcionários e a Volvo 430. Ele lembrou que de julho de 2007 até agora houve um crescimento exagerado do mercado e, em setembro de 2008, a demanda começou a cair. Karam acredita que as demissões ou acordos para evitar os cortes devem começar a atingir as empresas menores do setor com 100 a 150 funcionários. Hoje Curitiba e Região Metropolitana contam com 56 empresas de autopeças.
Ele lembrou que uma das medidas utilizadas pelas empresas é a redução da jornada com redução de salários, prevista na Lei 4923/65. Outra alternativa é a suspensão temporária dos contratos de trabalho vinculada à oferta de qualificação profissional, prevista no artigo 476-A, da CLT.
Algumas empresas já estão firmando acordos com os Sindicatos de Trabalhadores para poder se valer da qualificação com os recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), antes de emitir novas cartas de demissão. Para Karam, esta é melhor alternativa neste momento, mas é preciso estar atento para requisitos contidos na Lei, para não ter problemas futuros. ''Os empresários devem estar cientes de que, se precisar demitir empregados durante a suspensão do contrato, ou nos três meses subsequentes, estarão sujeitos ao pagamento das parcelas indenizatórias e multa de, no mínimo, 100% sobre o valor da última remuneração anterior à suspensão. Assim, é importante o empresário analisar previamente a situação para não assumir compromissos que, eventualmente, não possam ser cumpridos futuramente'', avisa.


