Curitiba - A crise de gás natural que levou a redução de abastecimento nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo provocou uma queda média de 20% nas conversões de veículos para a utilização de gás natural veicular (GNV). A informação é do presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos do Paraná (Sindirepa), Wilson Bill. Segundo ele, só agora que a situação está começando a normalizar nas oficinas que fazem a conversão.
Ele destacou que não há crise de gás mas, de energia elétrica em determinadas regiões do Brasil. ''O Paraná não tem falta de energia'', disse. Segundo ele, o Estado tem uma frota de 26 mil carros movidos a GNV que consomem 96 mil metros cúbicos de gás por dia. A conversão custa cerca de R$ 3 mil para veículos pequenos e R$ 4,5 mil para caminhonetes. Os automóveis que utilizam cilindros maiores têm um custo mais elevado para fazer a conversão. O GNV está disponível em Curitiba e Londrina e, no próximo ano, deve chegar em Maringá, Arapongas, Apucarana e Ponta Grossa.
A Associação de Consumidores Pro Teste notificou a Presidência da República, a Casa Civil e o Ministério das Minas e Energia, e pediu a marcação de uma audiência na Comissão de Defesa do Consumidor, da Câmara Federal, para que haja esclarecimentos em relação à política de abastecimento de gás natural veicular (GNV). Para a entidade, é inaceitável que o governo estimule o consumo de GNV, e depois não garanta o abastecimento para o consumidor brasileiro. Além disso, a associação também defende a garantia de abastecimento industrial do gás natural, em função de seus efeitos ambientais menos nocivos do que outras fontes energéticas.
''O desencontro de informações entre Presidência da República, Ministério de Minas e Energia e Petrobras deixa claro que não há uma política energética digna desse nome. E nos faz lembrar da campanha pelo carro a álcool, na época da ditadura militar e que deixou na mão os motoristas que haviam acreditado no estímulo governamental'', disse a coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci. Ela destacou ainda que o Brasil está ameaçado de conviver com o caos aéreo e o energético ao mesmo tempo. De acordo com a associação, não há como o governo falar em desenvolvimento sustentado se não garante gás natural, nem funcionamento normal nos aeroportos.
Hoje há cerca de 1,4 milhão de veículos a gás, muitos dos quais tiveram a conversão do motor após incentivo para que se adotasse o combustível. O GNV é o combustível menos poluente disponível no mercado. A associação defende medidas urgentes para que não se repita a crise de abastecimento de gás natural, que há alguns dias, abalou os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Entre os incentivos para a conversão do motor para o GNV os motoristas tiveram redução de IPVA, como no caso do Rio de Janeiro.

mockup