Uma entre cada cinco grandes indústrias poderá demitir pessoal por causa do racionamento de energia. E mais de 65% decidiram reduzir ou deixar os planos de investimento em banho-maria depois que descobriram que podem ficar na penumbra, segundo pesquisa apresentada ontem pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e realizada pelo instituto Vox Populi.
O corte de vagas é visto como o segundo efeito mais provável da crise energética – perde só para a paralisação das linhas de produção. A queda nos lucros aparece em terceiro lugar. O risco de cortes, porém, deve variar de acordo com o tamanho da companhia. Mais de 40% das pequenas e microempresas acham que há alto risco de dispensa, contra 19,5% das grandes empresas – com mais de 500 empregados. Os técnicos ouviram 401 indústrias nos dias 24 e 25 de maio. A Fiesp pouco fala quando esse tema vem à tona. Prefere dizer ‘‘que se 20% acham possível cortes, os outros 80% dos empresários não pensam em demitir’’, segundo Pio Gavazzi, diretor da federação.
O levantamento pode refletir o efeito das discussões em torno do feriado às segundas-feiras, já que o assunto foi amplamente debatido pelo setor nos dias em que a pesquisa foi feita. O feriado reduzirá a produção e, logo, pode forçar as indústrias a demitir pessoal.
Na média, a pesquisa mostra que 18,8% das indústrias informam que a demissão é o efeito mais possível por causa racionamento. Apenas 3,7% pensam em reajustar de preços e quase 10% falam em eliminar áreas.
Essa decisão de fechar departamentos implica aumento no corte de vagas. Nos meses anteriores ao anúncio do plano de racionamento, 74,9% das companhias disseram que iriam investir nas fábricas e 24,9% afirmaram o contrário. O restante não se posicionou. Após o dia 18 de maio, data do anúncio do plano, tudo mudou: 65,3% irão parar tudo ou engavetar os projetos temporariamente. Outros 29,8% disseram que as companhias manterão a expansão. Os mais relutantes são pequenos e microempresários.
Essas decisões, entretanto, estão sendo discutidas sem que as empresas tenham informações sobre o racionamento. Isso porque a indústria está muito mal-informada sobre a crise, admite a Fiesp.
Uma em cada quatro companhias diz que pouco sabe sobre o tema. E mais de 43% não faziam a menor idéia de que o País enfrentaria essa crise.

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