Crise de energia faz dólar bater recorde
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segunda-feira, 14 de maio de 2001
Agência Estado De São Paulo 
O dólar comercial manteve alta ontem e fechou no patamar mais alto do Plano Real, vendido a R$ 2,315, com alta de 1,27%. Maior desconfiança sobre a capacidade de a Argentina negociar o swap (alongamento) da dívida e honrar seus compromissos externos associada à falta de definições do governo brasileiro sobre o racionamento de energia voltaram a aterrorizar o mercado e provocar a disparada da moeda.
O dólar precificou ontem principalmente expectativas de que, por causa do racionamento, o governo poderá vir a autorizar aumento de tarifa de energia, como forma de estimular mais investimentos pelas empresas e forçar o consumidor a economizar. Como eventual elevação dos preços de energia poderá causar aumento de inflação, o mercado também acredita que o Copom poderá ser mais agressivo em sua eventual decisão de elevar a taxa Selic, na reunião que acontece nos próximos dias 22 e 23.
Ontem, o ex-presidente argentino Raúl Alfonsín, atual presidente da União Cívica Radical (UCR), um dos pilares da Aliança que sustenta o governo, disse em São Paulo que o projeto de lei que securitizaria o pagamento da dívida externa com a arrecadação tributária não será aprovado pelo Congresso como Domingo Cavallo quer. Trata-se de um sistema de muito risco para a Argentina. Por isso, Alfonsín acredita que o projeto de lei poderá nem mesmo ser enviado à Câmara.
Os usuais nervos de aço dos operadores estão à flor da pele. Mais do que Argentina ainda que permaneça como fonte de alto risco , os investidores ontem concentraram suas HPs na reavaliação do crescimento do PIB brasileiro para este ano, do déficit da balança comercial, da inflação e da trajetória da taxa Selic no curto e médio prazos.
O resultado dos recálculos só elevou a preocupação com a Bolsa, que sofrerá duplamente: pelo impacto negativo da conjuntura sobre as expectativas e pelo real acréscimo de custos e possível redução de lucros que sofrerão as empresas de mercado aberto. O Ibovespa fechou em baixa de 2,48%, para 14.132 pontos. O volume financeiro somou R$ 408,784 milhões. O índice futuro para junho, negociado na BM&F, recuou 2,08%, para 14.140 pontos no pregão regular.
A pouco mais de uma semana da próxima reunião do Copom, o mercado está elevando sua projeção de juros futuros. Não há ainda uma opinião formada entre os operadores sobre qual será a decisão do Copom. Mas há uma impressão generalizada de que a idéia de juros em queda foi um sonho de verão que se dissipou no início do outono.
(Márcia Pinheiro, Mário Rocha e Silvana Rocha)


