Crise de empregos aumenta em Londrina
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sábado, 10 de outubro de 1998
Cláudia Lopes 
O desemprego aumentou nos últimos três meses em Londrina. Sindicatos de trabalhadores de vários segmentos apontam crescimento de até 100% no número de rescisões contratuais no período. Na Cemtral Assistência e Medicina do Trabalho, uma das maiores clínicas de exames ocupacionais da cidade, os exames demissionais saltaram de 300, em julho, para 370 no mês passado.
A média de atendimentos admissionais e demissionais feitos pela Cemtral igualou-se neste ano. Até 97, a clínica atendia dois casos admissionais para cada demissional, segundo o médico Edcesar Vicente Leite. De janeiro a setembro deste ano, a Cemtral fez 4.020 exames admissionais e 4.480 demissionais. No mesmo período do ano passado, foram 4.520 admissionais para 3.076 demissionais. A clínica presta serviço para quatro mil empresas de diversos segmentos em Londrina.
O número de rescisões contratuais feitas pelo Ministério do Trabalho passou de 84 em junho para 137 no mês passado. Nos primeiros seis dias deste mês, já registramos 24 rescisões, afirma o subdelegado regional do Trabalho, Dorival Silvestre Arantes. O Ministério só faz rescisões de trabalhadores cuja categoria não tem sindicato.
No setor de metalurgia, pelo menos 100 funcionários perderam seus empregos no mês passado, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico. Para o presidente do sindicato, Sebastião Raimundo da Silva, a instalação de fábricas da Elevadores Atlas e Cadeados Pado, em Londrina e Cambé respectivamente, apenas manteve o índice de empregos. Dos 370 contratados na Atlas, pelo menos 350 trabalhavam em outras empresas. Mas como não andam bem das pernas, estas indústrias que perderam funcionários não devem contratar novos, afirma. Ele admite, porém, que sem a Atlas e a Pado o desemprego estaria ainda maior na região.
Silva explica que como o sindicato só faz rescisões de trabalhadores que tenham mais de um ano de carteira assinada, o número real de demitidos é muito maior do que o oficial. É o dobro das rescisões feitas no sindicato, diz ele. Há quatro anos, o sindicato fazia entre 15 e 20 rescisões/mês. Hoje, a média mensal é de 50. As empresas estão contratando operários para trabalhar de seis a oito meses, apenas enquanto têm serviço. Por isso, a maioria dos demitidos tem menos de um ano de carteira assinada.
Das 700 empresas do ramo de Londrina, Ibiporã e Cambé, apenas 20 tem mais de 50 funcionários, segundo o sindicato. A prefeitura e governo Estadual deveriam adotar políticas para ajudar as pequenas porque são elas as que mais empregam mão-de-obra, afirma Silva. Neste ano, uma das baixas no setor foi a Retificadora Metrópoles, que empregava entre 15 e 20 operários.
O aumento das taxas de juros e da crise econômica já se refletem na construção civil. Como os proprietários de apartamentos de condomínios são assalariados e não têm tido aumentos, as obras estão praticamente paradas. O resultado é o aumento das demissões de operários. A Construtora Planos demitiu 104 funcionários há quatro meses, conta o tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, José Aparecido Martins. A Serralheria Jangada fechou as portas, demitindo 40 pessoas. O setor da construção civil, que hoje emprega três mil trabalhadores, contava com 13 mil há 12 anos.
A situação também não é boa para o setor de fiação e tecelagem. Os dois últimos anos foram os mais recessivos, segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores, Carlos Roberto Duarte. O desemprego aumentou 40% desde o início de 97. Há oito anos, o setor empregava 8 mil trabalhadores em Londrina. Hoje são 2,6 mil trabalhadores.
Leila Aparecida Zacarias, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Londrina e região, conta que nos últimos dois anos os empresários têm adotado a prática de demitir costureiras e ceder máquinas para que elas continuem prestando serviço informalmente às empresas. É uma forma de não ter que arcar com benefícios e impostos. Segundo ela, pelo menos cinco mil costureiras de Londrina perderam seus empregos e agora trabalham em facções de fundo de quintal. Dos 24 mil trabalhadores que o setor tinha há quatro anos, hoje tem apenas 9 mil.
Nos últimos dois anos, o número de facções na cidade cresceu 70%. As empresas de Londrina também fazem muito rodízio de mão-de-obra, mantendo as costureiras apenas durante os 60 dias do contrato de experiência, alerta Leila. O sindicato, que representa 450 indústrias em 32 cidades da região, fez 84 rescisões no mês passado contra 52 em agosto.


