Crise de crédito afeta preço do álcool
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Fernanda Mazzinie Agência Estado<br> Reportagem Local 
A falta de liquidez no mercado provocada pela crise econômica global beneficiou diretamente consumidores paranaenses. Levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostra que o preço médio do álcool combustível caiu em 17 Estados desde a primeira semana deste mês. O Paraná registrou a terceira maior queda do País com uma redução de 0,90%, seguida pelo Maranhão (-1,07%) e Sergipe (-1,03%).
A explicação da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar) é que a falta de crédito no mercado aliada ao período de safra (que será encerrada no final deste mês), levou os empresários a vender toda a produção. Desta forma, a oferta do produto aumentou enquanto a demanda permaneceu estável. ''As empresas precisam de caixa para pagar o 13º salário e as despesas de final de ano e não há crédito no mercado'', comenta Anísio Tormena, diretor-presidente da Alcopar e coordenador nacional do Fórum Liderança do Setor Sucroalcooleiro.
Na sua avaliação, a partir do próximo mês os preços ''voltam à normalidade'' com um leve aumento. Por enquanto, o etanol combustível permanece mais barato no tanque dos carros flex fuel em 17 Estados brasileiros, de acordo com dados compilados da ANP. A vantagem é calculada considerando que a potência energética do motor a álcool é de 70% dos motores a gasolina. A gasolina é mais vantajosa em outros dez Estados. Segundo o levantamento, os Estados onde a vantagem do etanol é mais significativa são: Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Já a gasolina continua mais vantajosa principalmente no Amapá, Roraima, Pará e Amazonas.
Municípios
A pesquisa da ANP mostra que no Paraná o menor preço praticado do álcool ocorre em Foz do Iguaçu (Extremo-Oeste), onde o combustível está sendo comercializado, em média, por R$ 1,314. Já o município com maior preço é Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba), onde o litro está sendo vendido, em média, por R$ 1,585. Em Curitiba, o preço médio é R$ 1,428 e em Londrina, R$ 1,471. Ainda segundo o levantamento, os custos pouco variaram nas quatro últimas semanas em Londrina. Neste período, a diferença foi de apenas R$ 0,08 por litro com menor preço de R$ 1,464 (entre 30/11 e 06/12) e maior preço de R$ 1,472 (entre 16/11 e 22/11).
Nas ruas de Londrina, consumidores ouvidos pela reportagem afirmam que não perceberam queda nos preços e que a maioria dos postos apresentam custos semelhantes. ''No centro os preços (do álcool) estão entre R$ 1,45 e R$ 1,48, mas no bairro consigo abastecer por R$ 1,35 o litro'', diz o comerciante Sérgio Bazo. Na sua avaliação, os preços praticados estão em uma ''faixa boa''. ''Tenho funcionários que viajam e que falam que em outras cidades o preço é até mais caro'', comenta. Já o taxista João José Pereira, que abastece uma vez a cada dois dias, discorda. ''Aqui o preço é muito alto, abasteci no interior de São Paulo a R$ 1,19'', informa.


