Crise de alimentos é curta, não é coisa perigosa
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sexta-feira, 25 de abril de 2008
Elizabeth Lopes<br>Agência Estado 
Campinas - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a crise na oferta de alimentos, que também atinge o Brasil, ''é passageira, não é coisa perigosa''. Segundo ele, a produção de alimentos, não apenas no Brasil, mas no mundo todo, não cresceu proporcionalmente à demanda. ''Esta é uma crise curta'', reiterou, dizendo que isto vale para o arroz, para a soja e o feijão. No caso do trigo, como o Brasil depende de outros países, como a Argentina, Lula disse que o País estuda aumentar a produção deste grão. ''Vamos produzir mais trigo e depender menos dos outros países'', afirmou durante anúncio de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Campinas, no interior de São Paulo.
Ao falar da crise de alimentos, Lula criticou países que vêm condenando o aumento na produção de cana-de-açúcar destinada ao etanol, sobretudo os Estados Unidos. ''Este País (Brasil) era considerado de terceiro mundo e não era respeitado lá fora. Mas fizemos a revolução da indústria automotiva mundial com o biocombustível e isso eles não admitem'', disse Lula. Ele classificou de ''mentiras deslavadas'' as afirmações feitas no exterior de que a crise dos alimentos está sendo provocada pela estratégia brasileira de privilegiar a produção de etanol. E atacou diretamente os Estados Unidos: ''Eles resolveram fazer álcool de milho que é comida de galinha e porco. Se é reação animal, não pode fazer combustível.''
O presidente disse que pretende ''comprar esta briga'' e provar ao mundo que é possível o Brasil produzir alimentos e etanol. Apontando para a própria barriga, Lula disparou: ''seríamos ignorantes se não enchêssemos o nosso tanque para encher o tanque do carro''.


