Crise das bolsas atinge agronegócios
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terça-feira, 30 de dezembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
ArquivoFeliz Ano NovoKoslovski: Setor está entusiasmado com a vinda de dinheiro novo do governo para as cooperativas A incerteza na economia, gerada pela queda das bolsas e a elevação dos juros, atingiu a comercialização dos produtos agrícolas em 97. Em consequência dessa situação de crise nos últimos dois meses do ano, as cooperativas que esperavam um crescimento de 10% no faturamento do ano, não vão poder cumprir a meta. O faturamento das 75 cooperativas do Paraná deverá chegar no máximo em R$ 5,2 bilhões, uma elevação de 4% em relação a 1996 (R$ 5 bilhões).
Para 98, as expectativas otimistas estão vinculadas a uma decisão política de implantar medidas já ratificadas no Fórum Nacional de Agricultura, afirmou João Paulo Koslovski, presidente da Ocepar. Mas a grande arrancada do setor poderá vir da implementação de um programa nacional de agroindustrialização.
Segundo Koslovski, não se concebe um país de vocação agrícola sem uma agroindústria, com produção em escala. Para Koslovski, o governo estadual que adotar a industrialização vai criar riquezas dentro de seu território. O presidente da Ocepar citou um estudo feito pelo secretário da Agricultura de São Paulo, Francisco Grazziano, comprovando que as agroindústrias geram mais empregos que as montadoras de automóveis. Para se ter uma idéia, acrescentou, o conjunto das montadoras emprega 120.000 pessoas que corresponde a menos da metade dos empregos criados só na cadeia produtiva de aves de ovos, onde foram criados 255.000 postos de trabalho.
Dinheiro novo Mas nem só de situações desfavoráveis viveu o ano de 1997. Segundo Koslovski, o setor cooperativista está entusiasmado com a possibilidade de recomposição dos débitos que vão permitir uma arrancada rumo a novos investimentos. No final do ano foi aprovado o Recoop - plano de revitalização das cooperativas que vai injetar R$ 2,5 bilhões no setor, sendo R$ 1 bilhão em dinheiro novo e R$ 1,5 bilhão na recomposição de dívidas.
O faturamento do ano foi puxado pelas cotações da soja, que foram excelentes durante, avaliou Koslovski. Em compensação os demais produtos agrícolas tiveram os preços estabilizados conforme as cotações do ano anterior. Essa situação deprimiu a margem de lucro que ficou abaixo do índice de inflação. Com exceção da soja, Koslovski avalia que o setor agrícola conviveu com uma rentabilidade inferior a 5%, que inviabiliza até mesmo o financiamento do setor com as taxas do crédito rural, a 9,5% ao ano. Os prazos para pagamento são muito curtos e o custo é alto em relação à rentabilidade do setor. Segundo Koslovski, se essa margem for mantida em 98 dificilmente o setor vai recompor o capital investido.
Para agravar a situação, o presidente da Ocepar ressalta que a alocação de recursos para o setor foi insuficiente e contribuiu para a redução da rentabilidade. Koslovski criticou o governo federal que anunciou um orçamento de R$ 8,5 bilhões para o financiamento da safra 97/98 e só liberou R$ 3,5 bilhões até a semana passada. No Paraná a demanda por crédito rural era de R$ 1,2 bilhão e só foram liberados R$ 650 milhões, acrescentou. Ele salientou que o orçamento inclui também a comercialização da safra que começa em março, mas lembrou que se até agora a liberação ficou inferior à 50% do que foi anunciado, o setor não conta mais com o valor anunciado.
Outra preocupação para 98 é com o volume de recursos necessário para investimentos em infra-estrutura básica, como portos, rodovias e ferrovias que estão sucateados e influenciam na queda de produtividade. Koslovski criticou bastante a benevolência do Brasil com outros países no que se refere à importação de produtos agrícolas. Segundo ele, o país baixou as alíquotas de importação de 32% a 34% para 12% ou 14% no período de 4 anos, o que ele considera muito curto para uma readaptação dos setores produtivos. Os setores mais atingidos pela redução das alíquotas foi o leite, o algodão e trigo. Koslovski destacou ainda a falta de esforço do governo na aprovação das reformas fiscal e tributária. O setor cooperativista defende imposto zero para a produção de arroz, feijão e milho.


