Crise da aftosa provoca fechamento de frigoríficos
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sábado, 07 de janeiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O grupo Margen, a segunda maior empresa frigorífica do Brasil, vai fechar 6 das 17 unidades que possui no país até fevereiro - três no Mato Grosso do Sul, 1 no Mato Grosso e dois em Goiás. Dos 7 mil funcionários da empresa, 1.810 serão demitidos. O abate diário, que totaliza em média 6 mil cabeças de gado, deve cair para 3,5 mil a partir do próximo mês. No Paraná, o grupo já havia fechado a unidade de Paiçandu (10 km a leste de Maringá) no mês passado. Cerca de 300 trabalhadores foram demitidos.
O grupo ainda tem outras duas unidades no Paraná: em Paranavaí (cidade-pólo/Noroeste) e Lupionópolis (105 km ao norte de Londrina), que continuarão funcionando normalmente. No entanto, a produção no frigorífico de Paranavaí já caiu pela metade desde outubro, quando foram levantadas as suspeitas de febre aftosa no Estado. Até este mês, eram abatidas mil cabeças por dia; agora, são 500 em datas alternadas. Em média, mil peças são dessosadas por dia. O quadro de funcionários também foi reduzido de 600 pessoas para 380 nos últimos 90 dias.
Até os embargos serem impostos, esse frigorífico tinha contratos de exportação. Do total, alguns foram cumpridos ou transferidos para outras unidades do mesmo grupo e outros cancelados. No entanto, o gerente administrativo Celso Adonirio Bianchi não soube informar quantos contratos foram realocados. Atualmente, a unidade de Paranavaí está atendendo o mercado do Paraná e São Paulo. Já o frigorífico de Lupionópolis, que não é exportador, abate cerca de 300 cabeças em datas alternadas.
Crise - O fechamento das unidades, segundo o gerente administrativo da Margen, Adalberto José da Silva, é decorrente da crise na pecuária provocada pela descoberta de focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, em outubro do ano passado, e da política econômica do governo federal, que tem desvalorizado os rebanhos. Antes da crise causada pela febre aftosa a empresa frigorífica possuía 21 unidades em todo o país.
''O câmbio é desfavorável ao mercado produtor, o que refletiu em queda no fornecimento de carne. Com a queda no valor da arroba, que varia entre R$ 45 e R$ 49 nos Estados que perdem filiais da Margen, o pecuarista deixou de investir no rebanho. Cai a produção, cai a qualidade, cai a rotatividade nos frigoríficos'', afirma ele.
Segundo pesquisa divulgada pela CNA (Confederação Nacional de Agricultura) e a USP (Universidade de São Paulo) em dezembro, enquanto a arroba do boi gordo desvalorizou 13,14% em Mato Grosso do Sul de janeiro a outubro deste ano, os custos totais dos pecuaristas tiveram aumento de 6,09%, acirrando o descompasso entre a renda e os gastos. (Com Folhapress)


