Crise compromete mercado da medicina privada
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de maio de 1999
Agência Folha 
O mercado brasileiro de medicina privada está na retranca. A adaptação do setor à lei nº 9.656, de 3 de junho de 98, que regulamenta os planos e seguros de saúde, e o aumento do desemprego praticamente suspenderam as vendas e provocaram uma queda do faturamento neste ano (US$ 16 bilhões, em 98). As principais associações do setor não têm estimativas dessa queda, mas
têm sinais de que a atividade comercial foi muito pequena nos últimos
quatro meses.
O mercado de planos privados e seguros de saúde surgiu em 1956 na esteira da instalação da indústria automobilística na região do ABC, em São Paulo. Devido à correlação diretamente proporcional entre o crescimento desse mercado e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), a medicina privada se desenvolveu a taxas elevadas, uma média de 8% por ano, nas décadas de 60 e de 70.
Hoje, com a desvalorização cambial e o desemprego, as empresas de
convênios médicos enfrentam o desafio de ampliar a cobertura dos planos e seguros de saúde, por exigência da nova lei, e manter os custos
compatíveis com a capacidade de pagamento dos usuários. Arlindo de Almeida, presidente da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), diz que o setor está sofrendo com a alta do dólar em relação ao real, principalmente nas áreas em que são usados insumos importados na prestação dos serviços.
Almeida vislumbra processos de ajuste na atividade que acarretarão
dificuldades de entendimento entre os vários segmentos do mercado, ou
seja, operadores de planos de saúde, prestadores de serviços, governo,
consumidores e órgão da defesa do consumidor. As operadoras estão conscientes desse cenário difícil, mas também dispostas a não assumir qualquer aumento, nem permitir repasses para o consumidor, diz.


