Crise chega aos barracões da coleta seletiva
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O setor de materiais recicláveis reclama de queda nos preços dos produtos. A redução vem acontecendo há dois meses e é atribuída à crise financeira internacional. Nos barracões, trabalhadores autônomos ou de organizações não-governamentais, já sofrem a redução nos ganhos sem entender a matemática que os coloca no grupo dos atingidos pela turbulência.
A recicladora Lira Dech Lench conta que trabalha seis horas por dia recolhendo os materiais recicláveis em estabelecimentos comerciais pré-determinados, o que define como ''portão fechado''. Ela faz a limpeza do local e, em troca, fica com o direito de levar para casa o lixo reciclável que está à disposição. Ela admite não ter idéia de como funciona o mercado financeiro, mas está sentindo no bolso os reflexos da crise.
Lira recolhe cerca de quatro mil quilos de produtos por mês, sendo a metade só de papelão. Ela reclama que nas últimas semanas o quilo do papelão caiu de R$ 0,25 para R$ 0,10, reduzindo pela metade a sua renda mensal que estava em torno de R$ 1.800,00.
Ela não sabe porque o preço dos recicláveis caiu tanto, mas ouviu dizer que é por causa da crise internacional, embora acredite que esta não seja uma desculpa plausível, porque a quantidade do material que recolhe nas empresas não diminuiu. ''Acho que as coisas devem mudar no começo do ano'', afirma, esperançosa.
A Associação dos Recicladores Reciclando Vida recolhe o lixo reciclável em oito bairros da região Leste de Londrina. Os principais produtos recolhidos são garrafas pet, papelão, jornais, latas de óleo e embalagens plásticas em geral.
A tesoureira da ONG, Zulmira dos Santos, mostra a redução dos valores de alguns materiais por quilo nos últimos dois meses: o papelão caiu de R$ 0,35 para 0,10; a latinha de alumínio de R$ 3,80 para R$ 2,30; as latas em geral de R$ 0,30 para R$ 0,07, e o cobre de R$ 13,00 para R$ 7,00. Segundo ela, o que manteve as contas em dia no mês passado foi uma grande doação de papel que a ONG recebeu. ''Se não fosse isso, a nossa arrecadação teria caido bem'', afirma.
Ela teme dificuldades para os trabalhadores caso os preços dos produtos não voltem ao normal. A associação trabalha com 19 pessoas que recebem entre R$ 400,00 a R$ 450,00 mês para coletar e classificar o lixo reciclável.
O empresário Pedro Luiz Ruffo, de Rolândia, compra os materiais recicláveis de várias associações de Londrina e de outras dez cidades da região. O volume de compras varia entre 250 a 300 toneladas por mês. Ele reclassifica os materiais e vende os produtos para as indústrias de transformação.
Ruffo confirma que a redução de preços se deve mesmo à crise internacional ''porque está havendo uma redução de consumo dentro do País''. Além disso, segundo ele, parte dos resíduos das garrafas pet e das latinhas de alumínio é exportada para outros países e houve queda no volume de vendas.
De acordo com o empresário, a tendência é a situação piorar um pouco mais até o final do ano, se estabilizar no começo de 2009, e melhorar só a partir de março.


